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O novo scaffolding dos LLMs é feito de restrições

Se preferir começar por um resumo, peça um TL;DR ao Claude .

Workflows com LLMs precisam limitar o espaço de solução com contexto, templates, ferramentas e critérios de validação sem eliminar a exploração.

No desenvolvimento tradicional, scaffolding costuma significar criar a estrutura inicial de uma aplicação. Nos workflows com LLMs, a estrutura que mais importa pode ser outra: limitar o espaço de solução para que o modelo não invente além do necessário.

Essa mudança nasceu de um problema prático. A mesma capacidade que permite ao modelo encontrar uma abordagem nova também pode produzir uma alteração inesperada, uma dependência desnecessária ou uma afirmação sem base.

Restrição não é falta de capacidade

Um workflow confiável explicita:

  • quais arquivos podem ser alterados;
  • quais ferramentas estão disponíveis;
  • qual formato a saída precisa ter;
  • quais padrões de arquitetura devem ser preservados;
  • quais comandos validam a conclusão;
  • quando o agente deve parar e pedir ajuda.

Templates, AGENTS.md, schemas, testes e comandos de validação formam uma espécie de trilho. O modelo continua podendo raciocinar, mas não precisa redescobrir a estrutura inteira do projeto a cada tarefa.

O risco de restringir demais

Previsibilidade tem valor, especialmente em ambiente corporativo. Mas uma organização que transforma toda tarefa em uma sequência rígida pode perder a possibilidade de encontrar uma solução melhor.

Eu separaria dois modos de trabalho. No modo exploratório, o agente pode propor alternativas e expor incertezas. No modo de execução, a solução precisa respeitar contratos, permissões e testes. Misturar os dois faz a equipe exigir criatividade quando precisa de consistência, ou bloquear descoberta quando ainda não conhece o problema.

Também existe um risco de longo prazo: se o time aceitar todas as sugestões filtradas por templates sem entender o motivo das restrições, perde repertório para reconhecer uma exceção importante. A automação ajuda a padronizar, mas não substitui a formação técnica.

Um ciclo que eu usaria

  1. explorar possibilidades com limites claros;
  2. escolher uma abordagem e registrar as premissas;
  3. transformar a decisão em template, teste ou regra;
  4. executar com ferramentas limitadas;
  5. revisar os casos em que o padrão não foi suficiente.

O objetivo não é remover toda novidade. É decidir onde a novidade é desejada e onde ela representa risco. A produtividade vem da restrição bem desenhada; a inovação depende de manter um espaço seguro para questioná-la.