Hoje, na aula de inglês, mostrei ao meu professor, Marcel Pilatti, a ficha de Talking Standards, Vol. 2, de Nelson Faria e Sandro Haick.
Eu estava falando de Nelson quando Marcel comentou que achava que o conhecia de uma entrevista com Edu Lobo.
A conversa podia ter parado ali. Mas eu não conhecia Edu Lobo.
E foi assim que uma aula de inglês acabou abrindo mais uma trilha na minha educação musical.
Talking Standards, Vol. 2 já apontava nessa direção. Ao contrário do primeiro volume, o disco mergulha no repertório brasileiro: “De Volta pro Aconchego”, “Tarde”, “Desafinado”, “Insensatez”, “Papel Machê”.
Tom Jobim, portanto, já estava no caminho.
Edu Lobo ainda não.
Marcel então me indicou Edu & Tom, Tom & Edu, disco de 1981 gravado pelos dois, e me mostrou também um texto que escreveu: Pelé é Tom. Messi é Edu.
Gostei principalmente do caminho pelo qual a indicação chegou.
No artigo, Marcel conta que ouviu o disco enquanto acompanhava Betis × Barcelona e constrói uma comparação: Pelé é Tom; Messi é Edu. Não é uma associação minha — é dele —, mas foi justamente essa mistura improvável de futebol e música que colocou Edu Lobo no meu radar.
Agora tenho um disco novo para ouvir.
São dez músicas, entre elas “Pra Dizer Adeus”, de Edu Lobo e Torquato Neto, e “Chovendo na Roseira”, de Tom Jobim. Como estou estudando baixo, fui naturalmente procurar os músicos envolvidos.
Os créditos por faixa já me deram uma primeira pista: Sérgio Barrozo toca em “Pra Dizer Adeus”; Luiz Alves aparece em “Chovendo na Roseira”.
Isso muda um pouco a forma de escutar.
Além de conhecer as músicas, posso comparar como baixistas diferentes ocupam espaço dentro de um mesmo álbum, acompanhando dois compositores com identidades tão fortes.
Ainda não tenho uma opinião sobre Edu & Tom, Tom & Edu. Nem quero fingir que tenho.
Por enquanto, tenho algo melhor: uma nova pergunta para levar para a escuta.
Quem é Edu Lobo — e o que posso perceber na música dele?
Nada mal para uma aula de inglês.