Biblioteca comentada

Praticar NÃO é estudar: a lição que salvou Nelson Faria

Nelson Faria compartilha sua jornada de superação de dúvidas sobre talento e revela lições fundamentais sobre estudo musical e persistência.

Pergunte sobre este item

Use esse conteúdo como fonte para sua pesquisa.

Sua pergunta não é enviada para este site. O texto é preparado localmente no navegador e a conversa acontece no ChatGPT.

Nesta entrevista, Nelson Faria reconstrói uma crise vivida aos 19 anos, quando estudava no Guitar Institute of Technology, em Los Angeles, e chegou a pensar em abandonar a música por acreditar que não tinha talento. A conversa que o fez distinguir praticar de estudar organiza uma discussão mais ampla sobre escuta, base musical e uma evolução que não acontece em linha reta.

Fonte
Praticar NÃO é estudar: a lição que salvou Nelson Faria
Autor ou canal
The Tone Boutique
Publicação original
2026-09-11
Duração
1 h 04 min 45 s
Idioma
pt-BR
Item da biblioteca
2kPzCQb6yT8
Assistir no YouTube.

Este dossiê foi gerado pelo meu outro sistema de pesquisa a partir da fonte original. Ele reúne os artefatos abaixo sem edição substantiva; o material organiza a consulta, mas não substitui a fonte nem uma verificação independente.

Neste registro

Resumo

Nelson Faria compartilha sua jornada de superação de dúvidas sobre talento e revela lições fundamentais sobre estudo musical e persistência.

PONTOS PRINCIPAIS:

  1. Iniciou a carreira influenciado por bossa nova e harmonias de Toninho Horta e João Bosco.
  2. Quase abandonou a música aos 19 anos, por achar que não tinha talento para tocar guitarra.
  3. A crise aconteceu em Los Angeles, onde estudava no GIT sem conseguir executar o que aprendia.
  4. A conversa decisiva ocorreu na secretaria da escola, quando ele foi pedir o reembolso.
  5. Aprendeu a diferenciar entre apenas praticar e realmente estudar um instrumento.
  6. Entendeu que a evolução musical não acontece em linha reta, mas em ciclos.
  7. O conselho crucial que recebeu foi usar “dois ouvidos e uma boca” para ouvir mais e falar menos.
  8. Destacou a importância de uma base sólida antes de tentar fazer solos.
  9. Explicou como a mesma nota ganha sentido diferente dependendo da harmonia que a acompanha.
  10. Revelou quatro níveis de consciência musical para o aprimoramento contínuo.

CONCLUSÕES:

  1. Dúvidas sobre talento são comuns, mas a dedicação correta pode superá-las.
  2. O estudo eficaz vai além da repetição mecânica e exige escuta ativa e reflexão.
  3. O ouvido é tão importante quanto a técnica; ouvir mais permite aprender melhor.
  4. Uma base musical sólida é o alicerce necessário para qualquer desenvolvimento futuro.
  5. A persistência é fundamental, pois a evolução é um processo longo e não linear.

Ideia principal

A superação de uma crise profissional e a revisão do conceito de estudo musical são centrais na jornada de Nelson Faria. A ideia principal é que a distinção entre apenas praticar e verdadeiramente estudar um instrumento foi o insight que transformou sua abordagem, permitindo que ele superasse a crença de não ter talento e construísse uma carreira sólida. Essa lição ensina que a evolução não é linear e que a escuta ativa e a compreensão teórica são tão importantes quanto a repetição técnica para o desenvolvimento musical.

Insights extraídos

  • Nelson Faria initially believed he lacked musical talent despite intense practice.
  • He learned that practicing and studying are fundamentally different activities.
  • Musicians must listen more than they play during ensemble performance.
  • Musical growth happens in sudden leaps after periods of frustrating stagnation.
  • The sound of a note depends on its harmonic context, not its pitch.
  • Streaming provides global access but lacks proper musician credits and royalties.
  • Subdivisions like ternary and quaternary rhythm define a song’s core feel.
  • Accompaniment skill is often more crucial than soloing for professional musicians.
  • Joe Dioro’s chord-melody and sixths techniques profoundly influenced Nelson’s guitar approach.
  • Detailed musical nuances separate competent players from truly exceptional musicians.

Bibliografia e notas

Metadados do artefato bibliográfico

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
type: bibliography
id: B.2026.faria.estudo
visibility: protected
topic: "i3.Musica"
date: 2026-09-11
authors: The Tone Boutique
medium: video
year: 2026
title: "Praticar NÃO é estudar: a lição que salvou Nelson Faria"
original_title: "Praticar NÃO é estudar: a lição que salvou Nelson Faria"
source: YouTube
aliases:
  - Praticar NÃO é estudar a lição que salvou Nelson Faria - The Tone Boutique

Referência

THE TONE BOUTIQUE. Praticar NÃO é estudar: a lição que salvou Nelson Faria. YouTube, 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2kPzCQb6yT8.

Dados Bibliográficos

  • Autor: Nelson Faria
  • Tipo: Entrevista
  • Duração: 64 min 45 s
  • Data de Publicação: 11 de setembro de 2026 (YouTube)
  • Temas: Estudo Musical, Guitarra, Evolução Musical, Harmonia, Persistência

Notas

  • Nelson Faria quase abandonou a música aos 19 anos durante seus estudos no GIT (Guitar Institute of Technology) em Los Angeles, por acreditar que não tinha talento para tocar guitarra.
  • A distinção entre apenas praticar e verdadeiramente estudar um instrumento foi o insight que transformou sua abordagem e salvou sua carreira musical.
  • A crise foi superada a partir de uma conversa decisiva na secretaria da escola, quando ele foi pedir o reembolso das aulas.
  • A evolução musical não ocorre em linha reta, mas em ciclos, o que pode gerar frustração se o estudante esperar progressão constante.
  • O conselho fundamental que recebeu foi usar dois ouvidos e uma boca: ouvir mais e falar menos, valorizando a escuta ativa como ferramenta de aprendizado.
  • Uma base musical sólida é o alicerce necessário antes de tentar executar solos ou interpretações complexas.
  • A mesma nota musical ganha sentido diferente dependendo da harmonia que a acompanha, demonstrando que o contexto harmônico é determinante para a percepção musical.
  • Foram apresentados quatro níveis de consciência musical para o aprimoramento contínuo do músico.
  • Faria destacou a importância de compreensão teórica e escuta ativa como componentes tão importantes quanto a repetição técnica no desenvolvimento musical.
  • O álbum Talking Standards, gravado na Itália com Sandro Haick, foi apresentado ao final da entrevista, incluindo uma execução ao vivo de Blue Bossa.
  • Faria compartilhou histórias de bastidores com João Bosco (com quem tocou por 12 anos), Zélia Duncan e Cássia Eller.
  • A passagem de um rack de equipamentos gigante a um único pedal ilustra a busca pela assinatura sonora pessoal ao longo da carreira.

Citações

  • “Dois ouvidos e uma boca”: conselho que resume a importância de ouvir mais do que falar no processo de aprendizado musical.
  • “3 anos para o básico, a vida inteira para os detalhes”: síntese sobre o tempo necessário para desenvolver competência musical e aperfeiçoamento contínuo.
  • Praticar não é estudar: a distinção central que mudou a abordagem de Nelson Faria em relação ao instrumento.
  • i3.Musica
  • i15.Produtividade.Metodos

Transcrição

A transcrição é automática e pode conter erros de reconhecimento. A gravação incorporada acima é a referência para conferir o áudio.

Seja muito bem-vindo, muito bem-vindo a mais um Brunet Show hoje com o querido Nelson Faria. Seja muito bem-vindo. [risadas] >> Você não aceita muito desse lado, né, do entrevistado. >> Não, não. >> Você geralmente é entrevistador, né? Tem maior canal de informação guitarrística, talvez um dos maiores do mundo, né? Com tanta informação, tanta gente bacana que você já recebeu por lá e fantas um monte de coisa. Mas hoje a gente vai falar um pouquinho sobre você. Vai ter que ser talvez um pouco conciso, senão a gente vai ficar aqui tipo umas 8, 9 horas conversando, né, de tanta coisa. Vasta. Mas eu queria começar com o seguinte. Eh, você começ numa música que chama Minas mudou alguma coisa na sua cabeça. E o que [música] que foi? >> No disco Minas. O do do >> No disco Minas é do é do Milton Nascimento, né? É. >> É. [música] Com Toninho Horta ali na na guitarra. Eh, e o Milton ali gravou a música Beijo Partido. Eu lembro que a primeira vez que eu ouvi o Toninho Horta, eh, eu já gostava de tocar violão, tocava bossa Nova, é a formação que eu tenho, né? Mas quando eu vi o Toninho pela primeira vez, eh, eu sempre fui, eu sempre fui muito ligado em harmonia, muito. É, >> então, a música boa para mim era uma música que tinha uma harmonia bacana, né? >> Tá. >> Isso é muito louco, né? Depois eu fui entender que não é não é isso, né? Mas quando eu era mais novo, eu ouvi uma música, essa harmonia da música não era tão legal, eu falava: “Ah, essa música não é tão boa, que não tem nada a ver”. >> Mas eu eu meio que o meu parâmetro era esse. Quando eu ouvi o Toninho a primeira vez, eu ouvi acordes que eu nunca tinha imaginado na vida. Eu vi uma concepção, uma forma de conduzir a harmonia que eu falei: “Cara, o que que esse cara tá fazendo que não sabe assim, que você não tem a mínima ideia, né?” É. E e foi aí que começou meu grande minha grande pesquisa realmente em termos de de harmonia. E eu acabei, eu tinha 20 e poucos anos, fui fazer parte da banda do do Tony W, fui tocar profissionalmente com ele. Então fiquei muito feliz com isso. Isso é uma conquista bacana que eu tenho na vida. >> Legal. Mas sua vida na música começa em Brasília? >> Começa, é, começa em Brasília. >> Seus pais ouviam muita boossa nova? >> Muita bossa nova. Lá em casa é o que sempre tocou. É, >> você ouvia muito o João Bosco, esse tipo de coisa. Exatamente. Achei da bossa nova paraa MPB, tipo Clube da Esquina, o João Bosco e essa rapaziada toda. >> Eh, também foi sempre o que eu ouvi minha vida toda, né? E e é interessante isso porque eu acabei tocando com vários dos meus ídolos, né? Participei da banda, fui arrajador, fui eh diretor musical, o João Bosco, eu trabalhei com ele por 12 anos é >> como diretor musical e arranjador, tal. E e é um cara que era um dos meus ídos. Eu lembro quando a primeira vez que eu assisti o show, fui assistir o show do João Bosco, não entendi nada, cara, que ele sozinho no violão, ele tinha dois violões, um de cada lado assim, >> ele sozinho no violão com um teatro 3.000 pessoas, eu falei: “Cara, esse cara segura sozinho na praia desse tamanho, né?” >> E aí ele pegava um violão aí depois pegava outro e fazia outro tr por que que esse cara tá pegando outro violão? Aí eu comecei a reparar, ele tinha cada violão com uma afinação diferente, né? Aí, então ele trazia outro violão que daí fazia as músicas que tem afinação diferente e tal e depois fui tocar com ele. Mas a minha formação de fato começou em Brasília, em família, aprendendo com meus irmãos. Nós somos seis irmãos e irmãs e eu sou o caçula. Então, aprendi, todo mundo tava acima de mim já tocava alguma coisa e foi me ensinando, né? e minha mãe que sempre gostou muito de cantar. E as primeiras assim meu meu meu treinamento como músico acompanhante foi acompanhando minha mãe, né? >> Então a minha formação é meio essa e de um professor que eu tive em Brasília quando eu tinha meus 15 anos, quando eu comecei a estudar com alguém que foi o Gamela, que foi o Aí esse cara me explodiu, blow my mind. Falei, cara, me mostrou as coisas de de tocar de tocar harmonia e a melodia ao mesmo tempo, né? Faz, sei lá. É, [música] só que tudo no violão. Eu não sabia tocar guitarra. É, onde é isso aqui? [música] Quando eu cheguei em casa tocando assim, melodia e harmonia ao mesmo tempo, o pessoal de casa pirou, falou: “Cara, agora você tá tocando mesmo? É, [risadas] >> porque a gente só tocava ou acompanhava ou fazia um solinho. Os dois ao mesmo tempo não fazia. >> Não, você foi muito cedo pro GIT, estava com 20 anos, né? >> 19 >> 19 anos. E você teve aula com Scott Henderson e mais um monte de gente. Você gambar, Joe P, Joe Dior. >> Qual desses caras mais te impressionou e o que que foi que ele fez que você achou incrível? >> É, o cara que mais me impactou foi o Joe Dioro, >> sem dúvida nenhuma. Inclusive, foi ele que impactou muito o Scott Renderson, porque o Scott também foi aluno dele. Ele impactou muito o Gambali, que também foi aluno dele, né? Esse cara ele foi assim e e é o que tinha mais contato com a gente, o J P ele ia na escola uma vez por semana, >> tá? >> Então tinha um dia, tipo toda quarta-feira tinha J Pes lá pra gente fazer open coneling com ele, né? Mas o o Joe Jor não, ele ficava na escola direto, né? e e é um cara de uma concepção eh guitarrística muito fora da curva, tecnicamente falando, um absurdo. E foi onde eu aprendi SIP, né, que eu não sabia nem que existia forma de tocar em SIP, >> tá? eh é um cara que trabalha muitos intervalos na guitarra e é um cara que trabalha o cord Melody, que é essa coisa de de tocar eh a melodia com harmonia ao mesmo tempo. Então, foi o cara que mais me impactou assim, ele realmente ele é muito fora da curva, infelizmente não tá mais aqui com a gente, mas é um cara que talvez o cara que mais me influenciou. E se a gente pensar os caras todos que ele influenciou, como eu tô falando do Scot, não sei quê, um dos caras que o Joor mais influenciou, e isso é falado por ele mesmo, foi o Pat Mening, >> tá? >> Porque o Pet estudou muito tempo com Jo também. Eh, e tem uns uns tem tem vídeo e tem áudio só dos dois tocando, cara. Não sei se você já ouviu isso, Jo com Pat Me? Não, tem que ouvir. Vou vou ouvir. >> Ouça, >> ouça. Tem inclusive eles lá no GT, >> tá? >> Eles lá no JT tocando. O Pet já tinha saído, porque o Pet foi aluno dele na Universidade de Miami. Pet estudava lá e ele era professor. E aí depois ele ele foi lá para para Los Angeles, foi dar a GT e o Pet já tinha feito o primeiro disco, aquele Bright Size Life com Jac Pastores e Bob Mcasso. >> É. E aí ele já tinha lançado o primeiro diso que foi convidado a fazer um workshop lá no GT, mas novinho ainda, 20 e poucos anos, né? >> E aí o Jo era professor lá, que tinha sido professor dele, botaram os dois para tocar juntos. Cara, isso aí era essa essa fitinha ali e na época lá no GT, ela era o era o must de todo mundo. Todo mundo queria tirar tudo que os caras tocaram nessa nessas fitas aí. >> Que legal. E ó, eu li em algum lugar que dois meses lá você quis ir embora. Aconteceu? Cara, vou te falar um negócio. Eh, isso eu aprendi por conta disso. Eu, quando eu fui para lá, eu fui numa expectativa gigantesca, mas eu fui assim, eu nunca tinha tocado guitarra na vida, eu só tocava violão. Comprei minha primeira guitarra assim que eu cheguei lá, [limpando a garganta] que foi uma guild 1964, que eu tenho até hoje uma Starfire 3. E aí eu comecei a estudar igual louco, porque, né, uma oportunidade dessa na minha vida, eu falei: “Cara, não vou perder, eu tenho que me dedicar mesmo”. Então, estudava, estudava, estudar, estudar. E quando eu ia tocar, cara, não acontecia nada. É >> nada. A paleta caia da mão. [risadas] Eu falei, comecei a falar que, eu comecei a pensar que eu não tinha talento para isso. Ficar, acha que eu não tenho talento paraa música porque não é possível, cara. Eu eu estudo o dia inteiro, me dedico mesmo, tava me dedicando de uma forma bastante >> eh quase neurótica, assim, quase, sabe? Eh, e não acontecia muita coisa mesmo, pá, tava aprendendo as escalas, os arpjos, mas na hora de tocar mesmo, fazer música, não acontecia nada. E aí e lá na escola tinha tinha um esquema que era o seguinte, que você pagava o ano à vista e depois se você fosse desistindo, eles tinha uma tabela de existência que até a metade do ano se você desistisse aí você não recebia mais nada de volta. >> Mas tinha uma, então a cada semana tinha ali não sei quantos dólares que você não levava mais de volta se você desistisse. E aí isso começou a me impressionar. Falei: “Cara, eu fazia um curso de economia, abandonei o curso de economia para estudar lá fora, >> tá? >> O único músico da família que resolveu fazer isso, né? Dos seis irmãos, tal. Ou seja, eh, comecei a sentir a o a o peso dessa responsabilidade. Falei: “Cara, eu resolvi abandonar um curso de economia. A minha família tá investindo em mim aqui. Não era barato e e eu não tenho jeito para isso. Eu falei: “Cara, é melhor parar logo”. Aí, >> então, então você tá me dizendo que >> o Nelson de 19, 20 anos imaginou que não tinha talento. >> Imaginei. >> Que que interessante, né? A vida te provou justamente o contrário, né, >> cara? Mais do que a vida, sabia? É, >> a vida já é uma coisa enorme, mas eu eu vou te falar, eu tive uma uma um eu acho que Deus me mostrou isso porque eh quando eu resolvi desistir, eu fui na escola e e pedi para desistir. Era uma sexta-feira e eu lembro que na segunda-feira eu ia receber não sei quantos dólares a menos. Eu falei: “Cara, tem que desistir hoje”. Aí fui lá na escola, pedi para desistir. O cara me deu um papel, falou: “Agora você vai passar na tesouraria e vai pegar seu cheque”. Eu não é porque era cheque. E eu passei na tesouraria, a tesouraria tava fechada. Eu fui voltei para falar com fal tesouraria tá fechada. Falei: “Ah, desculpa, esqueci a menina da tesouraria hoje tinha um um médico, um d alguma coisa, a menina não tava lá”. Ele falou: “Você volta aqui na segunda-feira com esse papel que você vai receber o mesmo dinheiro”. Eu falei: “Ok”. Aí eu fui para casa, bicho. Eu passei o final de semana inteiro chorando, cara, me bateu um falei: “Cara, que que eu vou fazer da minha vida?” Porque eu, isso era tudo que eu queria da minha vida, né? né? Me me foi dado a oportunidade e eu tô abandonando, cara. E o apartamento que eu que eu fui morar, eu apartamento de de alunos, estudantes e tinha um um cara que tinha um brasileiro tinha ido antes de mim e tal e tinha deixado lá uma bíbliazinha. Cara, eu não sou não sou religioso, não sou nada disso, não frequento tal, mas naquele momento de desespero, eu peguei a Bíblia, falei: “Cara, Deus vai me dar uma dar resposta para tanta gente? Tal, talvez aqui tenha, cara, eu li aquilo ali, cara, fui lendo, procurando alguma coisa, chorando, bicho, muito assim, mal. Fiquei mal, passei um final de semana mal. E aí chegou a segunda-feira, eu falei: “Ah, quer saber? É isso mesmo. Vou lá desistir. Só que tem um detalhezinho que tem que abrir um parênteses. Quando eu cheguei na escola, logo que eu cheguei, a a esposa do dono da escola era de Porto Rico, porto rique. E ela ajudava todos os alunos de de língua latina, >> né, que tivessem dificuldade com o inglês, que era o meu caso. Eu tinha dificuldade, eu tinha tido um inglês da escola, não tinha estudado fora essas coisas. >> Então, não tinha um inglês muito fluente. Então, ela, eu fiquei muito perto dela, sempre me, e aí tá tá tá tudo bem aquele portunhol, né? tá conseguindo acompanhar as aulas? Não tá? Como é que tá? Sempre me ajudando. Na segunda-feira, quando eu tô indo pra escola, da minha casa pra escola, eu passava pelo Teatro Chinês. Teatro chinês lá em Los Angeles é o lugar mais turístico de Los Angeles. É onde tem a calçada dos artistas, com as assinaturas, tal, >> calçada das estrelas, né? E aí aquele monte de gente lá e eu passando, quem vem do outro lado? A esposa do dono da escola Beck, que me conhecia muito bem. A Beck vindo do lado de lá, ela chegou e viu a minha cara de uma pessoa que tinha chorado o final de semana inteiro. Ela falou: “Nossa, sua cara tá péssimo. O que que aconteceu?” Eu falei: “Sim, eu tô tô abandonando, vou vou parar”. Aí ela falou assim: “Não, a gente vai ter que conversar. Vamos sentar para conversar”. Essa mulher foi um anjo que Deus colocou na minha vida. Incrível. É, foi mesmo. Eu lembro até hoje a gente foi no House of Pancakes, que era um lugar que ela falou: “Como você gosta de tomar café?” Fala House of Pancakes. Vamos lá pro House of Pancakes que eu até levei minha família lá no House of Pancakes depois anos depois conhec. Aí a gente foi e tomando café, ela começou a conversar, ela me explicou duas coisas que mudaram a minha forma de enxergar música. Essa mulher foi realmente incrível. Ela falou assim: “Nelson, na música as pessoas confundem muitas coisas, mas tem duas coisas que são muito diferentes. Uma coisa é praticar, outra coisa é estudar. Quando você tá praticando, você pratica as coisas que você já sabe. Você só fica repetindo aquilo que você já sabe. E tudo bem, não tem problema nenhum. você vai repetir porque você tem que botar aquele debaixo da mão e você tá, né, eh, mantendo a sua técnica, mantendo. Então, quando você tá praticando, você tá trabalhando com material que você já conhece. Quando você tá estudando, você tá trabalhando com material novo, aquilo não está debaixo da tua mão e demora um tempo para est debaixo da tua mão. Você vai ter que praticar o material estudado para que ele venha a fazer parte do teu eh da tua do teu vocabulário, da tua forma de tocar, né, da a tua técnica e tudo. Ele falou desde ela falou assim, desde que você chegou aqui, você só tá estudando, você tá aprendendo um monte de coisa nova. Você pegou um instrumento que você não tocava, você pegou uma paleta pela primeira vez na vida, você nunca tinha tocado uma escala maior, não tinha mesmo, não. Não fazia solo, só tocava harmonia. Você nunca tinha tocado numa escala maior. Você tá tocando escala maior, menores, alterada, diminuta. Ou seja, você tá, é um mundo novo que você tá estudando e que não tá debaixo da sua mão. Então, quando você vai tocar, você quer tocar tudo aquilo que que você tá estudando, mas não sai. Então, a sensação que dá é que você tá piorando, porque o que você tocava, você não quer tocar mais. você tá querendo tocar uma coisa nova e o novo não tá não tá debaixo da mão. Então isso gera uma frustração gigantesca. Então ela me explicou isso, praticar uma coisa, estudar outra. Agora aí ela falou o outro lance, essa coisa dessa frustração, esse limbo que a gente passa. E ela falou o seguinte, e tem uma outra coisa na música, um aprendizado, que é você não se retroalimenta do que você tá estudando, sabe? Não é assim, eu vou estudando e vou melhorando, vou estudando, não existe isso. Não, não é assim para você, não é assim para ninguém. A pessoa não vai estudando, vai melhorando, ela vai estudando, vai ficando no mesmo nível, porque ainda não conseguia absorver. Então assim, o o o teu crescimento não é linear, não é uma coisa que vai assim, é uma coisa que vai assim, você fica aqui parado, parado, um dia você acorda e faz assim, pum, opa, veio. É de uma hora para outra. E é mesmo. Então você vai ter que aprender pro resto da tua vida enquanto você tiver estudando. Se você tiver só praticando, não, você não tem que conviver com isso. Mas se você, enquanto você tiver estudando, você vai ter que aprender a conviver com esse limbo, com essa fase onde você vai estar aqui e esperar esse salto acontecer. E se você estuda e e pratica o que você tá estudando de forma consistente, você vai dar esse salto na tua vida inúmeras vezes e vai ter que passar por esse limbo inúmeras vezes. E assim foi a minha vida e é até hoje, porque eu continuo estudando até hoje, continuo passando pelo limbo, me frustrando, mas sabendo que eu vou dar um salto ali na frente, então já fico um pouco mais tranquilo. Mas e eu quase desisti essa mulher realmente eu quando eu falo que eu acho que foi Deus porque primeiro porque eu pedi e aí Deus me coloca essa pessoa na hora que eu tô indo pra escola se ela não tivesse passado ali naquele lugar eu teria ido [limpando a garganta] lá pegado meu minha desistência e voltado para Brasil. >> Ia ser um economista hoje >> provavelmente ruim. [risadas] >> Tá bom. >> Você diz que o guitarrista precisa ter dois ouvidos e uma boca. >> Opa. >> Que que você quer dizer com isso? Tem que ouvir mais do que falar, é >> ouvir mais do que tocar, tá, >> né? Porque um dos, eu vejo isso muito, principalmente no no no cara que tá mais novo no instrumento e tá começando a tocar bem, o cara tá começando a tocar bem e ele ele não para para ouvir quem tá do lado. Ele quer mostrar as coisas que ele tá estudando, as coisas que ele tá praticando. Ele quer, então ele quer chegar e tocar, mesmo que aquilo não tenha nada a ver com o contexto que ele tá. Isso é um dos erros mais básicos, né? Todo mundo já passou por, eu já passei por isso, eu sei o que que é isso. >> Eh, quando a gente faz isso, a gente comete algumas coisas. Primeiro que a música não acontece. Segundo, que a gente fica com problema de tempo, porque você para de ouvir a banda e fica só se ouvindo. Quando você vê, você tá em outro lugar. Você não tá tocando no mesmo pulso dos caras, do resto da banda. Você não tá tocando no nem no mesmo compasso às vezes. >> Tá. Eu já vi isso acontecer, cara. Já vi aluno meu que depois eu tive que pensar o cara. bicho, olha, dois dois ouvidos e uma boca. Entra, ouve a música, vê como é que você vai conseguir se colocar, onde é que você pode contribuir musicalmente. Não é chegar e tocar uma coisa que você quer, né? Você tem, a música é para ser feita se tem mais de um tocando junto. É claro, se tiver tocando sozinho aí tudo bem, pode ficar só falando. Mas quando tem duas pessoas pelo menos, cara, você tem que ouvir mais o que o outro tá fazendo para você poder saberonde é que você vai contribuir. Senão a música não acontece, vira um sei lá o quê, viram cada um tocando uma coisa. Os dois podem estar até tocando muito bem, tecnicamente, etc., mas não tem música. Música é outra coisa. Nelson, você acha que essa sua mentalidade foi o que te ajudou a tocar com esse mundo de artistas que você tocou, esse monte de disco que você tocou? O que que você acha? >> Com certeza. Com certeza. Se eu puder dar uma sugestão pras pessoas que estão mais no início de carreira, presta muita atenção, né? Vou falar aqui direto olhando, cara. presta muita atenção na música que tá sendo tocada e como você pode contribuir. Eh, e às vezes eu vejo pessoas muito preocupadas com a parte de solo, sem se preocupar com a parte de base, sem fazer sem fazer harmonias eh interessantes, sem conhecer um, sem ter um vocabulário de acordes interessantes. Eu vou te garantir uma coisa. Quando você gravar um no disco de qualquer pessoa, até mesmo no seu, 80% do tempo ou 90 você vai estar fazendo base cordes e aqueles 10% você vai estar solando. No teu disco você pode aumentar isso um pouquinho, mas no disco dos outros, basicamente você vai estar acompanhando e vai est fazendo eh um solo aqui e o solo ali. E se você não faz um bom acompanhamento, se você não tem um tempo bacana, não tem um vocabulário bacana, harmônico, ninguém vai te chamar para fazer aqueles 10% de solo, porque o cara não quer chamar um cara para fazer o solo, outro cara para fazer a base. Não, cara, eu te chamei para gravar o dia, você vai fazer tudo, né? >> E e se você não faz uma boa base, esquece, o solo não vai ser mesmo, né? Então, eh, se eu tenho algum conselho para dar alguma sugestão, nem nem chamo de conselho, mas alguma sugestão, se você quer entrar no mercado eh tocando, gravando e tocando com outras pessoas, primeiro, dois ouvidos e uma boca. Lembra desse ditado? Você tem que ouvir o que que tá acontecendo para depois poder falar. E fique atento à parte da base, né, baixistas? Então, uma loucura. Às vezes eu vejo baxista solando muito bem, fala: “Bom, agora me acompanha aí”. E o cara não consegue. Guitarristas também. Eu falo, cara, que loucura. Não sabe acompanhar direito, né? É. >> E e isso é um estudo super importante. É porque às vezes o cara pensa assim: “Não, mas o cara que tá acompanhando não tá aparecendo tanto quanto o solista”. OK, é verdade, mas se você for um um um solista e tiver um cara te acompanhando mal, você vai solar mal. que ninguém, nem o Charlie Park, eu falo assim, o Charlie Parker para mim é um dos maiores improvisadores do mundo. Nem o Charlie Parker consegue fazer um bom solo. Se tiver um cara acompanhando ele com tempo ruim, ele vai resolver. O cara não resolveu, o cara vai ficar e eh com a a subdivisão errada, né? Um erro que acontece muito, cara, nas pessoas é é não ter consciência da subdivisão. Então, o cara, a música tá numa subdivisão ternária, o cara tá numa subdivisão binária, ou quaternária, porque ele só tá pensando no 1 2 3 4. Você tem que pensar o que que tem entre um, o dois, dois e o três, o três e o quatro, né? E o 4 e um de novo. Se é cada música tem uma onda e a forma de tocar tem que coincidir com isso. Se a música tiver subdivisão ternária, eu vou aqui. 1 2 3 1 2 3 1. Se eu tivesse no quaternário, [música] muda tudo, muda onde eu vou fazer assim, muda tudo. E às vezes eu vejo os caras tocando com isso trocado, porque ele aprendeu a fazer de um jeito e não se colocou na música que tá sendo tocada. [risadas] Fica uma confusão, né? Ó, vou te fazer uma pergunta. Então, além, obviamente, de ser seu aluno não fica dica premium, o que que uma pessoa comum poderia fazer para começar a internalizar esse tipo de coisa? Um exercício simples para começar nesse mundo? Eu te faço essa pergunta porque eu não consigo me imaginar fazendo um negócio desse. >> Hã? >> Aí eu queria ver assim, pô, o que que eu posso fazer para começar a entender esse mundo que você que você vive? >> Tá? Primeira primeiro você ter consciência de que existe isso. Isso eu acabei de te falar, você já tá com >> Acabei de ver. Acabei [risadas] de ver. Tô assustado, tô preocupado. >> Outra coisa é você ouvir, porque eu acho que tudo começa daqui, >> você ouvir música e conseguir perceber qual é a subdivisão, se a subdivisão é ternária ou é quaternária. Eh, ontem eu eu tava a gente tava na eh ouvindo a mixagem do disco do Ulisses Rocha. Fui para um estúdio com ele aqui. Ele tá gravando um disco incrível, com batera maravilhoso, com bachista maravilhoso. E ele é um violonista, pô, acima de qualquer, né? É um super violonista. E aí a música quando começou não tava óbvia a subdivisão. Quando chegou ali lá pro, sei lá, final da primeira parte, eu falei, ah, é uma é um ternário, a subdivisão, a música é quaternária. Entender que tem uma divisão, às vezes a pessoa acha que, quando eu falo e eh eh a subdivisão ternária, o cara acha que é uma valsa. Não é um 4x4 normal, né? Só que a subdivisão, falei: “Ah, agora que eu saquei a subdivisão internal”. Ele falou: “É”. E aí tava tendo um pequeno choque num negócio ali. Olha só, tô falando de músicos de top, né? Um pequeno choque. Aí eu falei, “Presta atenção naquele ataque, se não tá tendo um negocinho ali”. Ele falou: “Puta, é mesmo? Bateram aqui, vamos, vamos mexer aqui nessa é um cabelo, né? Um para cá. Vamos trazer essa caixa 1 mil para cá. Ah, aqui casou certinho. Então são são pequenos detalhes que fazem uma diferença gigantesca na música. Gigantesca. Então você ouvir a música e perceber qual é a subdivisão. Fal falando assim de uma forma bem bem óbvia, se você ouve um blues, o blues é subdivisão ternária. O blusa é 1 2 3 4 falei 1 2 3 4, mas é 1 2 3. Um 2 1 2 3 1 2 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 2 4. Então 1 2 3 4 1 2 3 2 3 1 2 Você ouve um blu, é óbvio, a coisa mais gritante, né? Às vezes você pode fazer isso tudo de uma forma muito mais >> eh eh eh sutil, mas você pega um blues, um shuffle, é subdivisão ternar. Você pega um samba, é quaternária. A subdivisão, >> o samba é binário com subdivisão >> quaternária. >> Quaternária. >> Então você pega, por exemplo, depois vou te dar um exemplo ótimo aqui pro pessoal pensar aqui. Vai ser bom. Então você pega um samba, vamos supor o cara vai um, dois, um dois. Na cabeça do cara tá um, dois. ti um t não é um bat do um dois aqui é blu, né? >> Tá. >> Quer saber? Um >> é >> um que é bacana. Parabéns para você. Vamos ver se você sabe. V subs para >> Parabéns para v primeiro o compasso. Ah, >> essa data que compasso dá para saber muitas. [canto] 1 2 3 1 2 3 Um. É um é um é uma valsa. Tá >> ternário. >> Parabén [canto] você. Agora, qual que é a subdivisão? >> É quaternária. Divisão. >> Se fosse quaternário seria assim. Eu nem sei cantar seria. [risadas] tá voltei. Se fosse quaternário seria assim. >> É ternári que ele faz do tr. [aplausos] Você viu que todas as notas que eu canto estão dentro de uma subdivisão ternária do tempo. Então, parabéns. 1 2 3 >> Parabéns para você. Se fosse quaternário seria para não sei contar. Parabéns para você. Seria, seria um susto quase, né? Então é muito louco que o o parabéns para você é ternário, com subdivisão ternária, >> tá? >> O que de fato é um compasso composto que é um 9x8. Parabéns para você. É em 9 por8, não é em 3 por4, >> car. >> É porque aqui, ó, 1 2 3, ó. Ah, dois três. Para cada três desse, para cada um tempo, eu tenho três. >> Tem três, >> né? Então eu tenho três colcheias para cada para cada ser mínima. Então tenho um da tá do 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 Isso dá vezes uma colcheia dentro de um compasso que é 9 por 8. >> Entendi. >> Então parabéns para você. É um 9 por8. Então às vezes o cara fala: “Nossa, compasso dificíimo 9 por8 aí qualquer qualquer qualquer aniversário casa. Parabéns. Tá cantando 98 para [risadas] você. Não é, se tiver cantando no tempo, né? >> É. Aí tem o pessoal que faz, tem o pessoal que faz o parabéns para você com subdivisão quaternária. >> É. >> E, e faz e não faz em três, faz em quatro ou faz em dois, faz aquele p como é que é que faz em sama, né? Parabéns. Aí foi subdivisão quaternal já. Tá. [canto] Então isso aí o que a gente chama de no computador, quando você tá programando, chama de mid, na época do mid, hoje em dia não sei que o pessoal usa mid, >> mas e eu usei muito, você tinha que quantar. É a mesma coisa até hoje. >> É, então quando você quantiza, você tem que saber se você quantiza no 16, que é a quaternária, ou no 12, que é a divisão ternara. Então quando você fala, vou quizar 16, a música vai ficar toda pá. Você você faz no oito, vai ficar tom o rock and roll, por exemplo, >> tá? O cara vai pro blues, é dizer, é, é o 12. Aí todos, todas as notas que foram tocadas vão encaixar dentro de uma subdivisão do 12, né? Se for um samba é no 16, na quantização 16. Se for o outro é quantização oito. É por aí, >> tá? >> E isso você tem que saber na prática. Quando você senta para tocar com outra pessoa, >> tá? >> Começou a tocar, como é que eu vou sentir essa música? É o sentimento da música. Olha que loucura. Nós estamos falando como é que se sente a música. Tecnicamente falando, é assim que a gente sente a música. >> Então o exercício é >> ouvir, >> ouvir >> e fazer esse tipo de coisa. Peg, como fiz aqui uma brincadeira com você no parabéns para você. >> É porque aqui é lógico, você tá so pressão, tem que responder na hora. Mas se você parasse, não, deixa eu sentir que que é o parabéns. Se eu sentir que a subdivisão é ternária, parabéns para um, do Não é um do bem. Você não é assim, né? >> É, entendi. >> Sagou? >> Muito legal. >> É, é bom, cara. É bom demais. E como isso? Como isso na música tem tanto detalhe? Eu costumo falar com meus alunos que é o seguinte: quer aprender música? 3 anos você é suficiente para você saber tudo. 3 anos. >> Nossa. É. Agora vai levar o resto da vida para trabalhar os detalhes, >> tá? >> O detalhe, meu amigo, vai te levar 50 anos, 60 anos. >> É os detalhes. Porque a diferença entre um músico normal para um músico top é só um detalhe. tocam os mesmos acordes. Acordes maior, menor, meio diminui. Agora, como é que o cara faz? Como é que é o voicing que ele arma? Como é que ele distribui aquelas notas? >> As escalas são as mesmas. Escala maior, escala menor. Como é que o cara frase? Como é que ele faz o ritmo? Onde que ele resolve? Isso tudo é detalhe. Então, o cara saber o básico, 3 anos você vai saber as escalas todas, os acordes todos, tá tudo certo, o ritmo básico. Agora vai timbre. Você trabalha com timbre, né? muito mais do que eu, tá, né? Então, você tem um conhecimento sobre timbre que eu não tenho, você sabe de coisas técnicas em relação ao timbre que eu não sei, né? É porque eu não toco que nem você, né? Tem que ficar alguma coisa, [risadas] >> então >> tem que me divertir em algum lugar, né? É. Não, mas eu aí que eu falo o seguinte, tocar com com o som que eu toco, eu só plugo e toco. Agora tocar com o som que você toca, que você encontra, você vai ter que trabalhar. Tem jeito. É, é basicamente é isso. É a mesma coisa, só que emburacando pra área do timbre, por exemplo, que é outra área também dentro da música. >> É, é interessante, né? Porque você tá falando isso eu, eu lembro lembrei aqui do Andy Timons e do e do Paul Gilbert. >> Uhum. Porque eu lembro do Paul Gilbert fazendo um workshop no Japão e ele tava lá demonstrando, tocando, cantando Frank Sinatra no meio das coisas assim, que ele começa a mostrar uma faceta que não é a faceta do rock ali e tal, né? E chegou uma hora que ele virou e alguém fez uma pergunta para ele, ele falou assim: “Ó, da próxima vez vocês podem me chamar para eu tocar para vocês, porque vocês me chamam muito mais para falar do meu timbre do que da minha música”. Ele ele ele falou falou uma dessa, né? E a gente vê que tem artistas que t uma identidade sonora >> que acaba sendo muito impactante. O Andy Timos, para mim é o cara que tem talvez um dos timbres mais eh eh eh refinados do da parte do rock, né? Eh, e ele é muito requisitado pelo timbre, né? E tem artistas que são requisitados porque a gente espera o timbre dele, por exemplo, Robin Ford, >> mas também pelo play, >> né? fala: “Não, isso a gente a gente quer ouvir o Roben Ford de qualquer jeito, né?” E >> Roben Ford é demais. >> Eu eu não lembro do Roben Ford fazendo clínicas >> com frequência sobre timbre, esse tipo de coisa, né? Eh, mas eu já vi o Andy Timons fazendo isso, Paul Gilbert fazendo isso, mas um monte de gente fazendo sobre sobre timbre e não necessariamente sobre sobre a música. O Paul Gibt faz muito também por causa da técnica super apurada e tal, todo mundo gosta daquilo lá, né? Eh, agora queria te fazer uma pergunta seguinte. Você tava falando aqui no começo que você começou a tocar com as pessoas que eram seus ídolos. Então, e eu vejo você cada hora num lugar tocando. Você você tem aí eh multifrentes. Eu vejo que você é um empresário, que você é um músico, você é um professor e imagino que você fique muito tempo fora e você tem acompanhado esses artistas, tenha ficado muito tempo fora de casa. Deve ter alguma história interessante aí no meio, embaraçosa. Eu gosto de contar umas histórias embaraçosas e se for muito embaraçosa, eu te dou a liberdade de nem falar com quem que aconteceu, né? Mas alguma coisa assim inusitada, tem alguma coisa que aconteceu com você ao longo desses anos? aconteceram algumas coisas, não necessariamente eh, mas aconteceu coisas interessantes. Vou vou contar algumas, porque o seguinte, quando você tá no palco, cara, não dá para parar, >> não dá, >> né? E eu ainda nem era assim um cara mais conhecido na época ainda, nem a Zélia Duncan era. E a gente tava fazendo um show em duo nós dois, >> tá, >> cara? no meio e era só violão em voz e no meio do negócio me deu uma dor de barriga, mas uma dor de barriga assim e eu falei: “Cara, Zé, no meio da música, eu olhei para ela, falei assim, ela olhou para mim”. Eu falei: “Parou, tirei o violão que saí do palco ô louco, tive que ir no banheiro.” Então assim, mas imagina ela que ficou no palco, [risadas] o que que aconteceu com esse cara, né? E aí você voltar pro palco depois com uma cara de, né? Pô, estava no banheiro porque eu tive uma diarreia, uma, né? Então assim, essa foi uma situação bastante embaraçosa. Teve uma outra, agora vou contar uma mais delicada, eh, que foi muito engraçado. Eu tava tocando em Viena, lá naquele aquela aquela ópera de Viena, onde acontece todos os grandes concertos, tal. >> Fiz lá com o João Bosco e o Gonzalo Rubabo, >> uma turnê grande que a gente fez que era o eu, Kiko, Nei Conceição, Kiko Freitas e o Nei Conceição com João Bosco e Gonzalo. Então no >> piano baixo bateria e e o João, né? pegando guitarra baixo bateria e o João Bosco. E aí a gente fez um showzaço lá, chegou no final do show, a gente tá saindo do palco, aí chegou uma uma menina e olhou para mim assim: “Vem cá, vem cá, tudo bem”. Quando eu cheguei, era uma brasileira, ela pegou uma foto de uma criança, falou assim: “Dá pro João Bosco isso aqui?” “Minha filha se chama Jad por conta dele.” Falei: “OK, o pior, o pior que antes, a coincidência, a gente tava no camarinho”. Gonzalo Rubaba falou assim: “Pô, Jo, imagina se um dia você chega num lugar para tocar e tem uma pessoa que diz que tem um que tem um filho seu, meu que [risadas] João Pô, não, pelo amor de Deus.” Aí tá, aí acabou a mulher, eu falei: “Cara, que isso?” A gente tava falando sobre isso. Entrei no camar, falei: “João, bicho, [risadas] dá uma olhada nessa foto aqui. Uma menina falou que essa menina chama Jad. Ela tá aí, ela vai entrar no camarinho pediu para eu entregar a foto para você.” O João ficou olhando, fala para ela entrar, vamos ver o que que é isso. Aí a menina entrou, relaxou tudo, né? Porque ela chegou e falou assim: “João, eh, essa minha filha chama Jade, porque quando eu e meu marido estávamos fazendo amor e ela foi concebida, nós estávamos ouvindo a sua música, Jado, [risadas] me salvei dela.” >> Engraçado. >> Mas foi muito engraçado porque logo antes do Camaria a gente tinha falado sobre isso, Gozado tinha falado, aí chega essa pessoa e me dá esse negócio, né? Foi engraçado demais, mas é isso. As situações são mais ou menos essas, né? >> Agora falando um pouquinho desse lado, você tá saindo, >> desculpa, já aconteceu uma que eu cheguei, eu tava morrendo de pressa, saí de casa igual louco. Eu tava atrasado pro show, show com a Cácia e a Hélier. Eu cheguei no show sem guitarra, >> esqueci a guitarra em casa, bicho. >> A minha sorte que que o show, eu morava no Rio, morava no Jardim Botânico, o show era em Panema. Então, cara, eu cheguei pro cara lá, falei: “Bicho, vou ali em casa e pega a minha guitarra”. Liguei pra minha esposa, falei: “Porra, manda minha guitarra”. Ó que loucura. Chegar no show sem guitarra, guitarra, [risadas] >> Foi o que você fez hoje também, né? >> Foi o que eu fiz hoje aqui. Por isso que eu tô com essa essa tajima aqui. Eu uso uma tajima também, mas a minha é bem diferente dessa. >> Acústica. >> Inclusive, a gente fez uma homenagem a você com o Michel Caramelo aqui, usando sua guitarra aqui. [música] >> Eu assisti. Bacana demais. >> Legal. >> Aliás, obrigado, Michel. Arrasou. O Michel é um craque, né? O Michel é um um músico muito eh versátil também, né? Um cara que toca em várias situações, toca violão de nylon, violão de aço, guitarra sólida, guitarra acústica, toca jazz, toca pop, >> Floyd Rose, toca rock and roll, ou seja, >> eh eh tem alguns guitarristas >> são assim, não são muitos, mas tem alguns craques assim, >> eu eu acho o Michel Caramelo, um deles que eu admiro muito, outro é o João Gaspar lá no Rio, né? O Michel Caramelo e o João Gaspar lá. Jogas pai é mais ou menos é um um é alterego do Michel Caramelo lá no Rio. >> É >> porque ele também toca, cara. Ficando, o cara toca jaz bem, toca pop bem, toca rock bem. Aí tem aquele monte de guitarra, uma é acústico, outro é só olha, da outra não sei o quê. É o >> eu no começo da minha carreira eu eu tive que abrir esse leque para trabalhar que às vezes você ia num estúdio ia gravar um negócio, cara, eu quero um violão de 12, então tem que ter violão não, quero uma guitarra mais rock and roll, OK? Na fase que eu toquei com a Cácia, era rock and roll direto. Mas depois, aos poucos, eu fui achando um a a minha assinatura. Falei: “Não, cara, o que eu quero é isso”. Aí fui tirando os pedais. Eu tinha, pô, levava uma geladeira pro palco, guitarra mid, um monte de hack, pedaleira para caramba. Eu fui vendendo tudo. Falei: Aí depois eu chegou uma fase que eu chegava no palco com cabo, falei: “Onde que eu posso ligar isso aqui? É, liga. Foi. Hoje em dia eu já chego com uma, pode fazer propaganda aqui, vou falar. >> Hoje em dia eu já chego com a minha GT000 da >> da Boss >> que tem ali um um VS. É VS que a gente chama. >> É não, um simulador. >> Um simulador. >> Não é VS que chama. Não, se [risadas] >> eu não vejo nada disso. Mas aí tem um negócio cara que quebra meu galho danado assim, >> porque às vezes eu chego no lugar e o amp tá muito ruim, aí eu eu tenho lá uma uma série de eu tenho os efeitos que eu uso que são uns três ou quatro >> e aí eu eu tenho esses mesmos três ou quatro com um amp ligado, um amp virtual ligado. Então, se eu chego num lugar que não que não tá legal, o 1 2 3 4 da minha pedaleira é é o normal e o 7 8 9 10 é com o é com o ramp ligado que é o que é eu boto ali um deluxe ligado mete na linha e >> aí eu posso linha na linha então que eu vou fazer de linha >> tá >> mas às vezes eu prefiro fazer uma por causa do do do da caixa >> tá >> porque quando você faz da linha você tem que ouvir no retorno e às vezes a caixa do retorno é >> é >> ms [risadas] >> legal legal tem uma história curiosa com o Michel que a gente fez um evento há uns dois anos atrás, né, da da R, um evento que de um dia inteiro a gente colocou um monte de gente lá e eu tinha vários músicos dando palestras ali, né? O Michel foi um deles e todo mundo ficou impressionado, fiquei impressionado com ele e tal. E nesse dia eu falei: “Ô, Michel, dá para eu fazer umas aulas para vocês? Tem um horário e tal?” Fal, “Não, tô, vamos, vamos, vamos fazer tal”. A gente ajustou, né? E eu avisei para ele naquela hora, falei: “Michel, é o seguinte, eu não estudo, cara. Você você não pode ficar frustrado comigo porque eu não tenho tempo, não consigo, pô, eu quero sentar ali e tocar aquele momento. Aí falou: “Não, tá tudo bem”. Aí o que que aconteceu? Foi aquela aquela enchente no Rio Grande do Sul, você lembra? >> Lembro, claro. >> E a minha esposa é de lá e ela pegou e tava preocupado com a mãe, foi para lá, só que ela não conseguiu voltar mais. >> Que loucura. >> Porque tava tudo inundado, não tinha avião, aeroporto fechado, não sei o quê. E aí eu fiquei aqui, cara, um mês sozinho e eu comecei a fazer as aulas com Michel, né? E aí o que acontecia? Tava sem a esposa, pegava a minha sala ali, colocava computador, monitor, guitarra, páginas, tal, e eu pegava e comecei a estudar as coisas que o Michel me passava. >> Aí fizemos a primeira semana, né? Fiz a primeira aula e comecei a estudar a semana inteira que tava sozinho. Aí cheguei na segunda aula, ah, vamos aí o me falou: “Tá, >> você não estudou? Tem certeza? >> Tá bom, né?” [risadas] Aí na terceira, na segunda semana a mesma coisa. Terceira semana a mesma coisa, né? Aí fala: “Ah, Brunete, você tá me enrolando, cara. Você tá estudando tudo, fazendo coisa que eu não falei e tal, não sei o quê”. aí minha esposa voltou, >> acabou, acabou a [risadas] festa. Não toquei mais, cara. Não toquei mais. Aí acabou, né? Mas e e eh eh é um negócio que é é interessante o estudo, porque a gente acaba fazendo coisas, por exemplo, um uma das coisas que eu fazia muito ali com ele era era improvisação mesmo, né? Então, colocar uma base e ficar ali tocando. Poxa, mas eu só tenho essa ferramenta nessa base aqui. Mas tocava, tocava, tocava, tocava e começava a aparecer coisas que eu não faria normalmente assim. E aí ia percebendo, né? Só que assim, eh eu vou conseguir, né? Mas eu vou levar uns 425 anos, né? para chegar lá, mas tudo bem, não tô com pressa. [risadas] >> Mas tem umas coisas legais que a gente vai descobrindo quando toca. Quando você tá tocando em cima de uma base, às vezes os cara fala assim, ó, toca aí uma a pentatônica, né? Você tá lá, [música] aí ele muda o acorde de fácil e você continua. Isso muda tudo, muda o som da nota. É >> essa nota aqui, ó, que você tava tocando, que era a terça, aquela vira quarta aumentada. Legal pr car is aqui. [música] [canto] Nono aumentada. Quarta aumentada, né? Eh, aí o cara fala, eh, sei lá, [música] faz aqui. Aí já viram a quinta, terça e nona. [canto] Aí faz aqui, [música] aí faz já vira nona, sétima maior e sexta. É, então o a o som da nota vai mudando de acordo com a função, de acordo com o que tem por trás ali naqueles acordes. Então, quando você faz uns backing tracks explorando isso e deixa o cara só aqui, só na só praticando na pentatônica, [música] eu adoro fazer isso. Lá no fic tem uma aula que é isso, o cara fica pratica só a pentatônica, só que a harmonia que tá por trás tá cabeluda, tá? [música][canto] Hum. [música] >> Eu quero. [música] [canto] São as mesmas notas, [música] mas som diferente. É, né? A nota, o som de uma nota, ele tá muito mais ligado com a relação que ela tem com acorde do momento do que com a altura dela. >> Eu gosto de fazer uma brincadeirinha que eu vou deixar aqui pra sua plateia, que é isso aqui. Você pega uma nota, essa nota aqui, ó, >> é uma nota, né? [música] Se eu colocar em, se eu vestir essa nota, que a harmonia é como se fosse uma roupa que você bota. Tá. >> Se eu vestir essa nota [música] com uma harmonia que vai fazer ela ser a nona menor, ela vai ficar triste e vai querer descer, >> tá? >> Essa nota aqui, se eu botar esse acorde. [música] Não chora não. Calma, Tá chorando agora. >> É triste, mas nem tanto. Calma. Ó, [música] você vê que ela quer fazer. Ela não quer subir, ela não quer ver para cá. Ela quer ver. >> [música] >> E é triste. Agora, se eu transformar ela na na sensível de do tono, na terça do acorde, ela vai ficar alegre e vai querer subir, vai fazer. [música] >> Então, o som de uma nota não tem a ver com ela, >> tem a ver com você veste ela, >> tá? >> Aí você veste, se ela vira nona menor, ela tem um som. Terça maior, outro som. Então, eh eh isso que eu falo com com meus alunos, que na música tem um caminho de consciência musical que começa pelo ouvido. Primeiro você ouvir, ouvir bastante. O cara fala: “Ah, eu quero tocar Jais”. Você ouve J? Não. Então esquece, você tem que começar primeiro a ouvir Jais. Quero tocar rock and roll. Você ouve rock and roll? Ah, então então dá para tocar rock and roll. Você só vai tocar aquilo que você ouve. Não tem jeito. Então primeiro ouve. Tem que ouvir muito. [limpando a garganta] Depois você vai começar a tentar passar aquilo que você ouviu pro seu instrumento. Então, como é que é aquele som que seu que você tava ouvindo? Como é que é aquilo no instrumento? Você vai procurar, vai achar segundo nível de consciência musical. Primeiro é só auditivo. Segundo já é auditivo com a relação no instrumento. Assim como uma criança passa do anos só ouvindo, né? Aí depois com um ano e meio para dois, ela começa a a abrir a boca e ensinar o aparelho fonador dela a falar aquelas palavras que ela ouviu. Não as que ela não ouviu, ela só vai falar aquilo que ela ouviu. Igual gente, a gente só consegue tocar o que ouviu. Então aí que ela vai, ah, começou a falar, beleza. Depois você começa a dar sentido. Pô, mas essa nota aqui, [música] o que que ela é? Ah, se o acorde foi esse aqui, ó. 11ª. Mas se o acorde foi esse aqui, tá? [música] A terça, aí você começa a ter sentido. Terça menor, né? Ah, legal. Essa aqui, nona. [música] Ah, legal. E se for, sei lá, se for essa aqui, o pacote foi esse. [música] É a tônica. Então, cada hora ela vai sear de um jeito. Então, a terceira terceiro nível de consciência, ouvir, aprender a tocar, saber eh, a função das coisas que você tá fazendo. E o último nível de consciência é alfabetização, tá? >> É você saber ler e escrever. Aí quando você já quando você tem esses quatro níveis, você pode se considerar um músico completo >> e nessas quatro coisas você vai evoluir >> pro resto da vida. que você falou que em três anos dá para fazer isso aí, mas depois é evolução. Depois básico, é, depois é evolução. O básico você faz, tá? Aqui não tem nada a ver. Tem uma curiosidade. Isso daqui parece eh um job sama de uma nota só, né? >> Exatamente. Ele faz [música] terça menor, terça maior, quarta justa, quarta aumentar [música] >> que putz, é um negócio fora do comum. Hum, hum. Pegou a mesma nota, cada hora a nota sua de um jeito. >> É, >> é legal demais isso. O o Mterne quando tá improvisando, ele faz muito isso. Ele faz [música] e fica fazendo esse tipo de coisa, fica segurando uma nota e fica mudando só o acordo. Ah, cada hora que nota é essa? >> Você fica voando, né? >> É, você fica viajando. É >> legal. >> Nelson, que que você acha do streaming? >> Cara, eu acho que o streaming foi uma revolução, né? totalmente >> positiva ou negativa. >> Eu acho que foi uma revolução positiva, mas que precisa ser aperfeiçoada ainda, porque o streaming ele ainda faz uma distribuição pouco pouco equilibrada dos seus proventos, né, das suas receitas. Então, eu acho que o o stream ele precisa distribuir um pouco melhor isso. Eh, o stream, por exemplo, não paga e eh o o direito conexo, tá? que então isso, isso, isso aí foi uma coisa, uma falha, vou falar das coisas ruins primeiro, né? Então isso é uma falha gigantesca porque a gente perdeu direitos com streaming. Outra coisa que o streaming agora tá conseguindo consertar é o streaming não tinha ficha técnica. Então um eu cresci a minha vida inteira desde criança lendo ficha técnica. >> Eu adorava também, >> Adorava. >> Quem gosta de música quer saber quem é o baterista, quem que é o baixista, quem é o, né? >> Eu gostava de ler os agradecimentos. Tudo >> acho que o pessoal não faz nem ideia do que a gente tá falando, né? >> É, não faz. [risadas] A ficha técnica, ela ela contava a história do disco, pô, >> né? Muitas vinham com com com letra das músicas e todos os músicos tocavam. E quando começou o movimento de música instrumental, vinham com as partituras. Hum. >> Não sei se l um disco do Nelson Aires que vem a compartitura daqui, principalmente o pessoal aqui do do do som da gente começou a lançar os discos com as partituras no encate. Cara, aquilo para mim se eu poder ouvir a música vendo a partitura e tocando junto, cara, aquilo para mim era uma aula. Eu falei: “Cara, obrigado, cara”. Eu agradecia gigantescamente esses caras. >> Falei: “Cara, é muito generoso isso. O cara dá a partitura da próxima música para você ouvir e saber o que que tá acontecendo ali, né? Quando você ainda não tem como perceber ou ou a partitura às vezes te ajuda, você não tá percebendo um determinada coisa, se se a partitura foi feita pelo compositor, que foi bem escrita, aí você olha, é isso. Ah, então isso aqui sou assim, né? Eh, então isso aí é uma uma coisa que que eu senti muito do streaming, que eu falei: “Cara, isso aí você tá só negando informação na era da informação, >> tá? >> Não faz sentido nenhum. Porém, ao mesmo tempo, o streaming consegue colocar você na boca, na cara do gol, né? O streaming consegue fazer eh a tua música chegar instantaneamente nos quatro cantos do planeta. Então, qualquer pessoa pode ter acesso à minha música em qualquer lugar do mundo. Eu não preciso mandar um botar um CD físico dentro de um envelope, botar no Correios e, né, cara, imagina, antigamente era assim. É, então o pessoal da Bossa Nova conta muito isso, que eles quando eles não sabiam do que que tava acontecendo. Aí tinha um pessoal da Paner que foi fundamental pra bossa nova, pra música brasileira. Os caras viajavam, tinha um voo internacional da Panel, os caras traziam os discos de Jais dos Estados Unidos, os caras ouviam aquilo. O Menescal conta que o primeiro disco que ele chapou foi um disco da Julie London, chama Julie Her name, que é Julie London com barnec na guitarra. Ele falou, o men falou assim, cara, foi a primeira vez que eu consegui ouvir aqueles acordes de jaz claramente, porque os outros discos de jaz vinham com big bang atrás, tá pá guitarra só fazendo um negócio você não conseguia ouvir guitarra, de repente o negócio que era voz e guitarra, ele falou: “Cara, tô ouvindo tudo”. É. >> E aí aqueles acordes são os acordes da massa nova, os acordes desse disco. >> Olha que loucura, influência, >> que legal. >> Os aquis do Barnecle são os aques que originaram a harmonia da bossa nova, cara. que que fez que que depois deu um deu de retorno para isso, porque aqui aquela coisa do cara pegar, adaptar, misturar aquilo com samba, com as coisas e mandar de volta, uma música totalmente nova. E mas os caras ficavam loucos quando chegava um disco, ia todo mundo um pra casa do outro, vamos ouvir aquele disco tal. E hoje em dia, cara, eu quero ouvir um dia, a pessoa me fala de alguém, fala: “Já ouvi o fulano de tal?” Deixa eu ver aqui. Ah, já salvo ali, já vou ver a hora que eu quiser. Na hora, imediatamente, instantaneamente. Ou se eu quero fazer um show, sei lá, na China, o cara, ah, como é que eu faço para vir seu trabalho? Tome aí meu disco é assim, é, não tem nada melhor que isso, né? É muito bom. Então, eu acho que o o stream é muito positivo. A gente tem acesso, você não precisa, quando começou o MP3, a gente começava a fazer HD e HDS de MP3. Não precisa mais de ter aquele mão de HD de MP3. Essas músicas estão aí guardadas pelos os os sites de streaming, as músicas todas, e você tem acesso instantâneo a a toda a música que se faz no planeta. Eles conseguem fazer também uma curadoria interessante com as playlists lá que eles fazem. Então, quando eu abro lá, tenho às vezes eu recebo sugestões muito interessantes, pessoas que eu nunca ouvi, eu falei: “Pô, mas esse cara é bacana, gostei disso aí, né? Cara, que eu nunca tinha ouvisto ouvido antes, porque eles sabem que eu gosto disso, né? O tal do, como é que chama isso? É o algoritmo, né? o cara sabe que eu gosto daquilo, me apresenta mais mais do meio, eh, fazendo uma pequena aberturinha, né, para você ouvir algumas coisas mais para cá e mais para lá. Isso é legal. Eh, você mesmo pode fuçar e caçar outras coisas. Eu posso botar assim, música indiana, deixa eu ver, música, sei lá, caribenha, eu boto isso e vem, vem os artistas todos, vem os música caribenha instrumental, música angolana instrumental. Deixa eu ver como é que é. Ah, que legal. Então assim, e é e eh é genial isso, assim, eu acho que não tem volta, não tem como, né, você pensar que não tem não, melhor não. Às vezes um cara falando assim, não, não vou lançar no streaming falei: “Cara, você tá tá abrindo mão disso?” Sério mesmo, cara? Ah, os caras pagam muito mal, tudo bem, >> pagam mal, realmente. Mas eu não sei se isso é motivo para você não tá ali exposto, né? Eh, como um streaming te expõe, eu acho muito legal. Como eu falei, precisa ser aperfeiçoado. Precisa, mas eu acho que isso é um processo, né? É um processo. Vai ser aperfeiçoado, né? As os as majors, elas tem que bater. Quem tem força para bater tem que bater. >> É, >> né? Eh, bater e falar: “Olha, pera aí, vamos distribuir essa grana de uma forma mais equânime, né? Tem que ter um direito conexo, tem que ter ficha técnica, né? Às vezes eu acho que eles tiram a ficha técnica exatamente por causa do conexo, >> porque o conexo é o que paga o músico que tocou, né? Então >> o cara nem divulga que tocou para não ter problema. >> É, Nelson, muitíssimo obrigado pela sua presença. Espero que você tenha gostado de ficar do outro lado. >> É, pô, adorei. Para mim, eu ficava aqui faz um tempo ainda. E eu queria que você finalizasse aqui tocando alguma coisinha pra gente encerrar. Então, muitíssimo obrigado pela sua presença aqui mais uma vez no Bret TV Show. Espero que você tenha curtido bastante a visita do Nelson e vamos finalizar com um sonzinho. >> Vou tocar um standard qualquer da Acabei de gravar um disco que foi muito bacana para aproveitar aqui esse momento para falar disso com um guitarrista que eu admiro muito, que é um e que nós descobrimos uma afinidade gigantesca musical que é o Sandro Hike. Eu já tinha ouvido o Sandro muitas vezes e obviamente uma coisa é você ouvir a pessoa, outra coisa você sentar ao lado e sentir o tempo. como é que ela sente o tempo, aquelas coisas da subdivisão, como é que a gente encara o fraseado, o vocabulário que o cara tem, o que você tem. E eu e Sandro recebemos da Tajima guitarras assinadas, né? >> Então existe a guitarra Nelson, Tajima Nelson Faria, existe a guitarra Sandro Hike. >> Então aí eu preciso falar uma coisa que aconteceu aí que é meio desagradável, mas é verdade. Aham. >> O dia que eu coloquei o seu vídeo no ar da Nels Faria. >> Aham. O Sandro me ligou na hora, falou: “Ô, Brunete, e a minha? Vamos fazer [risadas] o vídeo na hora. Assim, na hora que falou nossa, fazia um tempo que eu não faz com Sandro, daí tá ele lá”. Inclusive, Sandro, você sabe que você é de casa, né? Pode vir aqui a hora que você quiser de casa. Mora aqui em São Paulo, só ele mora aqui do lado, ele mora aqui pertinho. >> Então, que que aconteceu? O Sandro me ligou e falou: “Pô, Nelson, a Tajima lançou a a sua guitarra assinatura e a minha também. Que que você acha da gente fazer um duo? para divulgar suas guitarras. Eu falei: “Pô, legal, mas uma coisa você fala: “Que que você acha fazer o legal? Outra coisa é sentar, marcar show, procurar onde vai, né?” >> E aí ficou nessa e aí falou: “Não, legal, se pintar alguma oportunidade a gente, né, coloca isso”. Mas ele morando em São Paulo, eu em Brasília, a gente também não se encontrava. Aí passaram umas duas semanas, ele me ligou, falou: “Nelson, eu comentei sobre esse projeto com uma gravadora, um cara que é dono de uma gravadora na Itália. que eu fiquei conhecendo e ele quer, ele comprou o projeto na hora, ele quer gravar a gente. Vamos para lá? Falei, vamos embora. Aí a gente foi paraa Itália. Eh, e aí a gente pensou o disco pelo WhatsApp. Que que a gente vai gravar? Ah, vamos gravar standard. Que coisas que você conheça e que eu conheço também. Ah, beleza. Então, vamos gravar standard. Aí fizemos ali uma escolha de alguns standards. Você manda aí uns, eu mando outros. A gente uma lista de uns 50 que a gente gostava de tocar. E a gente falou: “Ó, chega lá, a gente resolve que vai fazer”. E aí tinha uma lista nesses 50 tinha standard brasileiro, standarde americano, tal. Aí encontrei com ele em São Paulo indo pra Itália, no avião a gente foi conversando, aí decidiam: “Não, vamos fazer os standares americanos e mas com ritmos brasileiros. Acho que vai vai ser um negócio legal”. >> Legal. >> Aí, bacana. Aí chegamos lá no no estúdio. Estúdio ótimo, muito bacana. Tínhamos dois dias de estúdio para fazer o disco. Aí final do primeiro dia, gravamos os standos americanos que a gente queria. Terminou o disco. >> Pô, temos mais um dia. Que que a gente faz? Então vamos fazer standar brasileiros amanhã. Aí no segundo dia gravamos o outro disco. Então >> é, >> lançamos dois discos, >> dois álbuns, chama Talking Standards. Volume um é o Internacional e o volume dois com as músicas brasileiras. E e também saiu o vinil duplo com um disco só com as músicas internacionais e outra só com as músicas brasileiras. A coisa do vinil é muito mais um fetiche e uma coisa de pessoas que são apaixonadas pelo vinil. Então existe um mercado bacana para isso, mas que você tem, por exemplo, o disco já chegou há muito tempo aqui em em álbum, os os vinis ainda estão lá na Europa, [risadas] então quer dizer, tem esse trabalhinho que a tem que passar pela alfândega, quer dizer, como é que vai mandar, então é melhor a gente produzir eles no Brasil. começa a ser, né? Eh, outra coisa. Então, a facilidade de streaming tá aí. Então, vou tocar um standard. Eh, não necessá, >> tá no volume um, no volume dois. >> É isso que eu ia falar. Não sei se eu faço um assim ou se eu faço, Posso fazer um que esteja no disco. >> Pode, claro, >> pode ser. Ou não, também tanto faz. >> É, pode fazer um que tá no disco. Incentiva o pessoal a >> fazer. Não, vou fazer outro. Vou fazer na onda. Tá, >> fazendo na onda, mas sem ser porque eu tem um standard que que eu gosto eh de tocar, principalmente quando eu tô falando com a rapaziada que tá começando a querer entrar no jais, >> tá? >> O cara nunca tocou a jais na vida, mas pô, eu queria experimentar. Tem uma música que é uma música que é a música mais fácil do J, não tem nada mais fácil que ela que é o Blue Bossa. Blue Bossa você deve conhecer, conhece, conheço. >> Então o Blue Boss é é um teminha que vai assim, né? [música] >> Acabou a música. A música é só isso. >> E só tem duas escalas. Eu ten que usar dó menor e bir reb a mão maior, >> tá? >> Então é muito simples pro cara começar. Você ensina a escala menor, ensina a escala maior, bota a base, fala: “Agora usa só essas duas escalas que vai dar certo”. >> Tá? >> Então eu vou tocar o Bubossa porque é uma música que eu acho que tem muita gente >> que tá começando que toca. Então você vai conseguir enxergar aqui coisas que você faz, né? [música] >> É isso aí. >> Legal. A gente se vê no próximo vídeo.

Todos os dados em um arquivo compactado

Baixar todos os dados em .zip

O arquivo compactado preserva os artefatos gerados, os metadados e as representações da transcrição exatamente como foram exportados pelo sistema.

Pergunte sobre este item

Use esse conteúdo como fonte para sua pesquisa.

Sua pergunta não é enviada para este site. O texto é preparado localmente no navegador e a conversa acontece no ChatGPT.