Escrevi Jeff mais leve que o ar há muito tempo. Quando decidi retomar o livro, pensei primeiro em publicá-lo diretamente no gpupo.com, capítulo a capítulo. Resolvi adiar essa publicação.
Antes de transformar o manuscrito numa obra navegável, quero cuidar de outra parte do projeto: a capa e as ilustrações internas. A etapa atual é encontrar e contratar uma pessoa ilustradora para criar uma capa e sete artes para o Livro I.
Preparei um briefing para tornar visível o que até então existia apenas como uma combinação de cenas, atmosferas e referências na minha cabeça. Este post é uma versão pública desse documento. Assim consigo compartilhá-lo com artistas, leitores e pessoas interessadas em acompanhar o processo.
Ele passa a integrar os bastidores de Jeff mais leve que o ar, onde reunirei os textos relacionados ao desenvolvimento do livro.
Sobre as imagens deste post: todos os oito estudos visuais foram criados no ChatGPT 5.6 SOL. Eles são meramente exemplos de composição, contraste e atmosfera. Não fazem parte da obra, não são as ilustrações do livro e não devem ser reproduzidos literalmente. A capa e as artes definitivas serão outro trabalho, desenvolvido com a pessoa ilustradora que vier a participar do projeto.
Minha visão sobre o projeto
Não tenho a ilusão de que ganharei dinheiro com este projeto. Talvez o livro encontre poucos leitores. Talvez nunca pague o investimento feito na produção. Não estou contratando ilustrações porque fiz uma projeção otimista de vendas.
Isso não diminui a vontade de entregar uma obra genuína a quem decidir lê-la. Se o livro chegar a poucas pessoas, ainda quero que essas pessoas encontrem um texto e um objeto editorial tratados com atenção.
Também não quero escolher alguém apenas para executar com mais precisão as imagens que uma máquina já sugeriu. Procuro uma pessoa cujo trabalho tenha identidade e que consiga trazer para o livro algo que eu não conseguiria desenhar, prever ou pedir por completo.
O briefing serve para comunicar o terreno: as cenas, o contraste entre inocência e ameaça, a presença da paisagem, a quantidade de branco, a relação entre contemplação e violência. Ele não deve aprisionar o traço de quem for ilustrar.
As artes finais deverão ser originais e o ilustrador permanecerá creditado como autor das imagens. Qualquer uso de IA generativa na produção final também precisará ser combinado previamente. A intenção é sair destes exemplos e chegar a uma linguagem que carregue a identidade do artista.
Direção geral
Jeff mais leve que o ar mistura memória, infância, humor estranho, solidão, fantasia, western, violência e momentos quase sobrenaturais.
O livro não deve parecer simplesmente um western nem uma obra infantil. O contraste entre inocência, estranheza e ameaça é parte importante da identidade visual que estou procurando.
As sete artes internas devem trabalhar principalmente com preto sobre branco, pena ou nanquim, hachuras e hachuras cruzadas. A capa pode introduzir cor, mantendo parentesco com o mesmo traço.
Os ambientes devem ter importância semelhante à dos personagens. O uso de espaço branco é tão importante quanto as massas de preto.
Princípio visual: uma memória desenhada em preto sobre branco, na qual o mundo frequentemente ocupa mais espaço que as pessoas.
0. Capa — Jeff mais leve que o ar
A capa deve apresentar Jeff mais leve que o ar e o nome Gilmar Pupo, sem subtítulo.
A direção principal é Jeff sentado à sombra de uma grande árvore, observando uma paisagem rural ampla. O cenário pode incluir estrada de terra, cercas, campos, vegetação e colinas ou montanhas ao fundo. O céu deve ocupar uma área importante da composição.
A primeira impressão precisa ser de infância, contemplação, isolamento e horizonte. A ameaça existente na história deve permanecer apenas sugerida.
Muito céu, personagem pequeno diante do ambiente, sensação de espaço e distância. Quero evitar a interpretação literal do título com voo, balões ou levitação.
A capa pode ser colorida. A preferência é por traço evidente, próximo da linguagem das artes internas, com aplicação delicada de azuis, verdes secos, terra, amarelos e ocres. A arte limpa, sem tipografia, e a versão diagramada são ambas desejáveis.
1. A espera
Clima: silêncio, calor e imobilidade.
Jeff está sob uma árvore à margem de uma estrada de terra. Ele brinca com um graveto e risca no chão a borda da sombra. Ao redor aparecem a estrada, a plantação de algodão, uma grande pedra e um horizonte distante.
O personagem deve parecer pequeno diante da paisagem. A composição deve respirar, especialmente no céu.
Função narrativa: transmitir espera, repetição e atenção obsessiva aos pequenos elementos do ambiente.
2. A laranjeira
Clima: cotidiano interrompido.
A imagem pode ser vista de dentro da casa em direção à varanda e ao quintal. Em primeiro plano aparecem objetos banais da rotina: mesa, copo de leite, lata de biscoitos, vela e cadeira. Do lado de fora, a bota e a laranjeira.
A presença da mãe deve ser distante, parcial ou encoberta pelos galhos. A imagem não deve ser gráfica nem sensacionalista.
Chave visual: o horror nasce do contraste entre os objetos domésticos e o que está além da porta.
3. O poço seco
Esta pode ser a imagem mais minimalista e expressionista do conjunto.
Jeff inclina-se sobre o poço. Quase toda a página pode permanecer branca, enquanto a boca do poço se torna uma massa circular ou oval de preto.
Lá embaixo, apenas dois pequenos olhos. Nada de revelar claramente uma criatura.
Objetivo: sustentar a dúvida entre realidade, memória, medo e imaginação.
4. O Mago Barulhento
Esta arte representa uma história escrita pelo próprio Jeff quando criança e funciona como uma quebra deliberada dentro do conjunto.
O Mago Barulhento está em pé. O Sábio lendário é um homem velho, pendurado de cabeça para baixo pelo tornozelo. Caramelo, o esquilo gigante, aproxima-se para farejá-lo.
É importante preservar a situação absurda e engraçada: quem está pendurado é o Sábio, não o Mago.
A imagem deve manter a linguagem de hachuras e nanquim das demais, permitindo proporções mais fantásticas, humor e exagero.
5. Cravos na Morta
Eric e Jeff estão num campo seco diante de uma enorme árvore morta. A árvore deve dominar a composição.
Eric está apoiado na muleta, de perfil, terminando o movimento de arremesso de um cravo. Jeff aparece um pouco atrás, observando. Um pequeno alvo está preso ao tronco e os cravos podem formar diagonais fortes.
No alto de um morro distante podem surgir dois lobos muito pequenos, quase escondidos.
Função narrativa: mais do que o jogo, a cena representa Jeff começando novamente a desejar alguma coisa.
6. A forte chuva
É a imagem mais violenta e cinematográfica do conjunto.
Clima: western/noir. Interior do galpão. Ned aparece quase como silhueta, recortado por um relâmpago. O indígena avança com um martelo.
Ferramentas, caixas e corpos devem ser percebidos apenas parcialmente nas hachuras. Evitar gore.
Direção: muito preto, contraste máximo e movimento construído por postura, sombra e luz do relâmpago.
7. A porta para o inferno
Frank e Jeremy são adultos da mesma geração e devem aparentar aproximadamente a mesma idade. São irmãos; nenhum deles deve parecer significativamente mais velho que o outro.
Jeff é o único personagem criança na cena.
Composição:
- Frank e Jeremy sentados na varanda, ambos adultos e de idade visual semelhante;
- diferença entre eles deve vir de postura, roupas, expressão e personalidade — não de idade;
- Jeff aparece criança, atrás do vidro da janela, observando os dois;
- sobre a mesa: garrafa de uísque, mapa, anotações, papel com o arco-íris no verso e a pequena pedra de ouro;
- a pedra continua sendo o centro visual, com espaço branco ou contraste ao redor;
- clima de conversa aparentemente tranquila, mas com uma ameaça que o leitor percebe retrospectivamente.
Chave visual: o inferno não precisa ser mostrado. Ele está contido naquela pequena pedra sobre a mesa.
O movimento do conjunto
O percurso que imagino para as imagens é este:
horizonte e contemplação → espera → ruptura → mistério → imaginação → amizade → violência → destino
A capa deve ser a imagem mais aberta e respirada. O livro começa com céu, campo e distância e termina diante de uma pequena pedra sobre uma mesa.
Quero evitar um visual infantil convencional, concept art de videogame, excesso de realismo fotográfico, estética genérica de Velho Oeste, gore, excesso de detalhes que elimine o branco e soluções que revelem mistérios deliberadamente ambíguos do texto.