Tenho uma Hotone Ampero One e uma dúvida para tocar em linha na igreja: preciso simular amplificador e caixa ou posso usar compressor, EQ e outros efeitos e mandar o som para a mesa?
A resposta muda conforme o instrumento e o timbre que procuro. Para começar, precisei separar o papel do amplificador do papel da caixa.
O que muda ao desligar a caixa
AMP e CAB também fazem parte da modelagem. Por isso, a distinção que me ajuda aqui é entre usar ou dispensar a caixa simulada. Desligar CAB retira uma etapa que colore o som; o amplificador modelado e os efeitos podem continuar na cadeia.
As duas possibilidades ficam assim:
- Com caixa simulada: efeitos, amplificador modelado e CAB/IR.
- Sem caixa simulada: efeitos e, se fizer sentido, amplificador ou pré modelado, com CAB desligado.
Compressor, EQ, chorus e redução de ruído podem entrar nas duas cadeias.
AMP simula o amplificador ou pré. CAB simula a caixa e seus alto-falantes, geralmente com a coloração de uma microfonação. Um IR de caixa é outra forma de representar essa resposta: ele pode trazer a coloração da caixa e da microfonação, mas, sozinho, não reproduz a saturação do amplificador.
No baixo, consigo partir do som direto
No contrabaixo, posso partir de um sinal direto para a mesa, sem simular uma caixa. Posso trabalhar dinâmica e equalização sem tentar reproduzir uma caixa microfonada. A documentação da Radial descreve esse uso da DI para levar o baixo ao PA.
A simulação de caixa entra quando quero aquela coloração como parte do instrumento: outra distribuição dos médios, outra textura no ataque e outra resposta nos extremos de frequência. Pode ajudar a chegar a um som de amplificador, inclusive quando há drive.
A Origin Effects demonstra as duas propostas em um mesmo pedalboard: um timbre de console e um timbre de Ampeg SVT com caixa 8×10 simulada. São duas escolhas de som.
Um detalhe me chamou a atenção: usar DI não significa estar sem simulação de caixa. No SansAmp Bass Driver, por exemplo, a simulação de alto-falante faz parte do circuito analógico. Não é preciso carregar um IR para ter essa coloração.
Para o meu baixo na igreja, meu ponto de partida foi uma cadeia com compressor, EQ e um pré ou AMP com pouco ganho, com CAB desligado.
Na guitarra, a caixa pesa mais na decisão
Na guitarra elétrica, a caixa é uma parte central do timbre que costumo associar a um amplificador. Ela colore os médios e limita agudos. A microfonação acrescenta outra camada.
Ao mandar apenas o AMP modelado para o PA — o sistema de som que atende ao público —, essa filtragem pode faltar. Com distorção, os agudos podem ficar especialmente ásperos. Mesmo no som limpo, a caixa ajuda a construir a identidade daquele conjunto.
Para buscar um timbre de amplificador direto na mesa, eu começaria com AMP + CAB/IR. A BOSS documenta essa combinação ao ligar a ME-90 ao PA. Também posso explorar um som sem caixa, se for essa a sonoridade que procuro.
Na Ampero, começaria com uma cadeia simples:
Guitarra → compressor/drive → AMP → CAB/IR → delay/reverb → mesa.
Se a saída alimentar uma caixa física de guitarra, a situação muda: os alto-falantes já fazem essa filtragem, e eu normalmente desligaria CAB/IR. Se entrar pela entrada comum de um amplificador, também preciso considerar o pré dele ao decidir se mantenho AMP ligado na pedaleira.
E as capturas?
A atualização 3.1 da Ampero One permite importar arquivos Sound Clone. Por enquanto, tenho preferido deixar as capturas de lado e me concentrar nos modelos de amplificador e nos efeitos que já uso.
Para continuar no assunto, recomendo este vídeo:
Referências
- Hotone — Ampero One: modelagem e suporte a IRs.
- Hotone Japan — atualização Sound Clone, incluindo Ampero One 3.1.
- Radial — ProDI e ligação do baixo ao PA.
- Origin Effects — duas abordagens de timbre para baixo em linha.
- Tech 21 — Bass Driver DI e simulação de alto-falante integrada.
- BOSS — conexão de modelagem de amplificador e caixa ao PA.