Seja muito bem-vindo, muito bem-vindo a
mais um Brunet Show hoje com o querido
Nelson Faria. Seja muito bem-vindo.
[risadas]
&gt;&gt; Você não aceita muito desse lado, né, do
entrevistado.
&gt;&gt; Não, não.
&gt;&gt; Você geralmente é entrevistador, né? Tem
maior canal de informação guitarrística,
talvez um dos maiores do mundo, né? Com
tanta informação, tanta gente bacana que
você já recebeu por lá e fantas um monte
de coisa. Mas hoje a gente vai falar um
pouquinho sobre você. Vai ter que ser
talvez um pouco conciso, senão a gente
vai ficar aqui tipo umas 8, 9 horas
conversando, né, de tanta coisa. Vasta.
Mas eu queria começar com o seguinte.
Eh,
você começ
numa música que chama Minas mudou alguma
coisa na sua cabeça. E o que [música]
que foi?
&gt;&gt; No disco Minas. O do do
&gt;&gt; No disco Minas é do é do Milton
Nascimento, né? É.
&gt;&gt; É. [música] Com Toninho Horta ali na na
guitarra.
Eh, e o Milton ali gravou a música Beijo
Partido.
Eu lembro que a primeira vez que eu ouvi
o Toninho Horta, eh, eu já gostava de
tocar violão, tocava bossa Nova, é a
formação que eu tenho, né? Mas quando eu
vi o Toninho pela primeira vez,
eh, eu sempre fui, eu sempre fui muito
ligado em harmonia, muito. É,
&gt;&gt; então, a música boa para mim era uma
música que tinha uma harmonia bacana,
né?
&gt;&gt; Tá.
&gt;&gt; Isso é muito louco, né? Depois eu fui
entender que não é não é isso, né? Mas
quando eu era mais novo, eu ouvi uma
música, essa harmonia da música não era
tão legal, eu falava: "Ah, essa música
não é tão boa, que não tem nada a ver".
&gt;&gt; Mas eu eu meio que o meu parâmetro era
esse. Quando eu ouvi o Toninho a
primeira vez, eu ouvi acordes que eu
nunca tinha imaginado na vida. Eu vi uma
concepção, uma forma de conduzir a
harmonia que eu falei: "Cara, o que que
esse cara tá fazendo que não sabe assim,
que você não tem a mínima ideia, né?" É.
E e foi aí que começou meu grande minha
grande pesquisa realmente em termos de
de harmonia. E eu acabei, eu tinha 20 e
poucos anos, fui fazer parte da banda do
do Tony W, fui tocar profissionalmente
com ele. Então fiquei muito feliz com
isso. Isso é uma conquista bacana que eu
tenho na vida.
&gt;&gt; Legal. Mas sua vida na música começa em
Brasília?
&gt;&gt; Começa, é, começa em Brasília.
&gt;&gt; Seus pais ouviam muita boossa nova?
&gt;&gt; Muita bossa nova. Lá em casa é o que
sempre tocou. É,
&gt;&gt; você ouvia muito o João Bosco, esse tipo
de coisa. Exatamente. Achei da bossa
nova paraa MPB, tipo Clube da Esquina, o
João Bosco e essa rapaziada toda.
&gt;&gt; Eh, também foi sempre o que eu ouvi
minha vida toda, né? E e é interessante
isso porque eu acabei tocando com vários
dos meus ídolos, né?
Participei da banda, fui arrajador, fui
eh diretor musical, o João Bosco, eu
trabalhei com ele por 12 anos é
&gt;&gt; como diretor musical e arranjador, tal.
E e é um cara que era um dos meus ídos.
Eu lembro quando a primeira vez que eu
assisti o show, fui assistir o show do
João Bosco, não entendi nada, cara, que
ele sozinho no violão, ele tinha dois
violões, um de cada lado assim,
&gt;&gt; ele sozinho no violão com um teatro
3.000 pessoas, eu falei: "Cara, esse
cara segura sozinho na praia desse
tamanho, né?"
&gt;&gt; E aí ele pegava um violão aí depois
pegava outro e fazia outro tr por que
que esse cara tá pegando outro violão?
Aí eu comecei a reparar, ele tinha cada
violão com uma afinação diferente, né?
Aí, então ele trazia outro violão que
daí fazia as músicas que tem afinação
diferente e tal e depois fui tocar com
ele. Mas a minha formação de fato
começou em Brasília, em família,
aprendendo com meus irmãos.
Nós somos seis irmãos e irmãs e eu sou o
caçula. Então, aprendi, todo mundo tava
acima de mim já tocava alguma coisa e
foi me ensinando, né? e minha mãe que
sempre gostou muito de cantar. E as
primeiras assim meu meu meu treinamento
como músico acompanhante foi
acompanhando minha mãe, né?
&gt;&gt; Então a minha formação é meio essa e de
um professor que eu tive em Brasília
quando eu tinha meus 15 anos, quando eu
comecei a estudar com alguém que foi o
Gamela, que foi o Aí esse cara me
explodiu, blow my mind. Falei, cara, me
mostrou as coisas de de tocar de tocar
harmonia e a melodia ao mesmo tempo, né?
Faz, sei lá. É,
[música]
só que tudo no violão. Eu não sabia
tocar guitarra. É, onde é isso aqui?
[música]
Quando eu cheguei em casa tocando assim,
melodia e harmonia ao mesmo tempo, o
pessoal de casa pirou, falou: "Cara,
agora você tá tocando mesmo? É,
[risadas]
&gt;&gt; porque a gente só tocava ou acompanhava
ou fazia um solinho. Os dois ao mesmo
tempo não fazia.
&gt;&gt; Não, você foi muito cedo pro GIT, estava
com 20 anos, né?
&gt;&gt; 19
&gt;&gt; 19 anos. E você teve aula com Scott
Henderson e mais um monte de gente. Você
gambar, Joe P, Joe Dior.
&gt;&gt; Qual desses caras mais te impressionou e
o que que foi que ele fez que você achou
incrível?
&gt;&gt; É, o cara que mais me impactou foi o Joe
Dioro,
&gt;&gt; sem dúvida nenhuma. Inclusive, foi ele
que impactou muito o Scott Renderson,
porque o Scott também foi aluno dele.
Ele impactou muito o Gambali, que também
foi aluno dele, né? Esse cara ele foi
assim e e é o que tinha mais contato com
a gente, o J P ele ia na escola uma vez
por semana,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; Então tinha um dia, tipo toda
quarta-feira tinha J Pes lá pra gente
fazer open coneling com ele, né? Mas o o
Joe Jor não, ele ficava na escola
direto, né? e e é um cara
de uma concepção
eh guitarrística
muito fora da curva, tecnicamente
falando, um absurdo. E foi onde eu
aprendi SIP, né, que eu não sabia nem
que existia forma de tocar em SIP,
&gt;&gt; tá? eh é um cara que trabalha muitos
intervalos na guitarra e é um cara que
trabalha o cord Melody, que é essa coisa
de de tocar eh a melodia com harmonia ao
mesmo tempo. Então, foi o cara que mais
me impactou assim, ele realmente ele é
muito fora da curva, infelizmente não tá
mais aqui com a gente, mas é um cara que
talvez o cara que mais me influenciou. E
se a gente pensar os caras todos que ele
influenciou, como eu tô falando do Scot,
não sei quê, um dos caras que o Joor
mais influenciou, e isso é falado por
ele mesmo, foi o Pat Mening,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; Porque o Pet estudou muito tempo com Jo
também. Eh, e tem uns uns
tem tem vídeo e tem áudio só dos dois
tocando, cara. Não sei se você já ouviu
isso, Jo com Pat Me? Não,
tem que ouvir. Vou vou ouvir.
&gt;&gt; Ouça,
&gt;&gt; ouça. Tem inclusive eles lá no GT,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; Eles lá no JT tocando. O Pet já tinha
saído, porque o Pet foi aluno dele na
Universidade de Miami. Pet estudava lá e
ele era professor. E aí
depois ele ele foi lá para para Los
Angeles, foi dar a GT e o Pet já tinha
feito o primeiro disco, aquele Bright
Size Life com Jac Pastores e Bob Mcasso.
&gt;&gt; É. E aí ele já tinha lançado o primeiro
diso que foi convidado a fazer um
workshop lá no GT, mas novinho ainda, 20
e poucos anos, né?
&gt;&gt; E aí o Jo era professor lá, que tinha
sido professor dele, botaram os dois
para tocar juntos. Cara, isso aí era
essa essa fitinha ali e na época lá no
GT, ela era o era o must de todo mundo.
Todo mundo queria tirar tudo que os
caras tocaram nessa nessas fitas aí.
&gt;&gt; Que legal. E ó, eu li em algum lugar que
dois meses lá você quis ir embora.
Aconteceu?
Cara, vou te falar um negócio.
Eh,
isso eu aprendi por conta disso. Eu,
quando eu fui para lá, eu fui numa
expectativa gigantesca,
mas eu fui assim, eu nunca tinha tocado
guitarra na vida, eu só tocava violão.
Comprei minha primeira guitarra assim
que eu cheguei lá, [limpando a garganta]
que foi uma guild 1964, que eu tenho até
hoje uma Starfire 3.
E aí eu comecei a estudar igual louco,
porque, né, uma oportunidade dessa na
minha vida, eu falei: "Cara, não vou
perder, eu tenho que me dedicar mesmo".
Então, estudava, estudava, estudar,
estudar. E quando eu ia tocar, cara, não
acontecia nada. É
&gt;&gt; nada. A paleta caia da mão. [risadas]
Eu falei, comecei a falar que, eu
comecei a pensar que eu não tinha
talento para isso. Ficar, acha que eu
não tenho talento paraa música porque
não é possível, cara. Eu eu estudo o dia
inteiro, me dedico mesmo, tava me
dedicando de uma forma bastante
&gt;&gt; eh quase neurótica, assim, quase, sabe?
Eh, e não acontecia muita coisa mesmo,
pá, tava aprendendo as escalas, os
arpjos, mas na hora de tocar mesmo,
fazer música, não acontecia nada.
E aí e lá na escola tinha tinha um
esquema que era o seguinte, que você
pagava o ano à vista e depois se você
fosse desistindo, eles tinha uma tabela
de existência que até a metade do ano se
você desistisse aí você não recebia mais
nada de volta.
&gt;&gt; Mas tinha uma, então a cada semana tinha
ali não sei quantos dólares que você não
levava mais de volta se você desistisse.
E aí isso começou a me impressionar.
Falei: "Cara, eu fazia um curso de
economia,
abandonei o curso de economia para
estudar lá fora,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; O único músico da família que resolveu
fazer isso, né? Dos seis irmãos, tal. Ou
seja, eh, comecei a sentir a o a o peso
dessa responsabilidade. Falei: "Cara, eu
resolvi abandonar um curso de economia.
A minha família tá investindo em mim
aqui. Não era barato e
e eu não tenho jeito para isso. Eu
falei: "Cara, é melhor parar logo".
Aí,
&gt;&gt; então, então você tá me dizendo que
&gt;&gt; o Nelson de 19, 20 anos
imaginou que não tinha talento.
&gt;&gt; Imaginei.
&gt;&gt; Que que interessante, né? A vida te
provou justamente o contrário, né,
&gt;&gt; cara? Mais do que a vida, sabia? É,
&gt;&gt; a vida já é uma coisa enorme, mas eu eu
vou te falar, eu tive uma uma um eu acho
que Deus me mostrou isso porque eh
quando eu resolvi desistir, eu fui na
escola e e pedi para desistir. Era uma
sexta-feira e eu lembro que na
segunda-feira eu ia receber não sei
quantos dólares a menos. Eu falei:
"Cara, tem que desistir hoje". Aí fui lá
na escola, pedi para desistir. O cara me
deu um papel, falou: "Agora você vai
passar na tesouraria e vai pegar seu
cheque". Eu não é porque era cheque. E
eu passei na tesouraria, a tesouraria
tava fechada. Eu fui voltei para falar
com fal tesouraria tá fechada. Falei:
"Ah, desculpa, esqueci a menina da
tesouraria hoje tinha um um médico, um d
alguma coisa, a menina não tava lá". Ele
falou: "Você volta aqui na segunda-feira
com esse papel que você vai receber o
mesmo dinheiro". Eu falei: "Ok". Aí eu
fui para casa, bicho. Eu passei o final
de semana inteiro chorando, cara, me
bateu um falei: "Cara, que que eu vou
fazer da minha vida?" Porque eu,
isso era tudo que eu queria da minha
vida, né? né? Me me foi dado a
oportunidade e eu tô abandonando, cara.
E o apartamento que eu que eu fui morar,
eu apartamento de de alunos, estudantes
e tinha um um cara que tinha um
brasileiro tinha ido antes de mim e tal
e tinha deixado lá uma bíbliazinha.
Cara, eu não sou não sou religioso, não
sou nada disso, não frequento tal, mas
naquele momento de desespero, eu peguei
a Bíblia, falei: "Cara, Deus vai me dar
uma dar resposta para tanta gente? Tal,
talvez aqui tenha, cara, eu li aquilo
ali, cara, fui lendo, procurando alguma
coisa, chorando, bicho, muito assim,
mal. Fiquei mal, passei um final de
semana mal. E aí chegou a segunda-feira,
eu falei: "Ah, quer saber? É isso mesmo.
Vou lá desistir. Só que tem um
detalhezinho que tem que abrir um
parênteses. Quando eu cheguei na escola,
logo que eu cheguei, a a esposa do dono
da escola era de Porto Rico, porto
rique. E ela ajudava todos os alunos de
de língua latina,
&gt;&gt; né, que tivessem dificuldade com o
inglês, que era o meu caso. Eu tinha
dificuldade, eu tinha tido um inglês da
escola, não tinha estudado fora essas
coisas.
&gt;&gt; Então, não tinha um inglês muito
fluente. Então, ela, eu fiquei muito
perto dela, sempre me, e aí tá tá tá
tudo bem aquele portunhol, né? tá
conseguindo acompanhar as aulas? Não tá?
Como é que tá? Sempre me ajudando.
Na segunda-feira, quando eu tô indo pra
escola, da minha casa pra escola, eu
passava pelo Teatro Chinês. Teatro
chinês lá em Los Angeles é o lugar mais
turístico de Los Angeles. É onde tem a
calçada dos artistas, com as
assinaturas, tal,
&gt;&gt; calçada das estrelas, né? E aí aquele
monte de gente lá e eu passando, quem
vem do outro lado? A esposa do dono da
escola Beck, que me conhecia muito bem.
A Beck vindo do lado de lá, ela chegou e
viu a minha cara de uma pessoa que tinha
chorado o final de semana inteiro. Ela
falou: "Nossa, sua cara tá péssimo. O
que que aconteceu?" Eu falei: "Sim, eu
tô tô abandonando, vou vou parar". Aí
ela falou assim: "Não, a gente vai ter
que conversar. Vamos sentar para
conversar".
Essa mulher
foi um anjo que Deus colocou na minha
vida. Incrível. É, foi mesmo. Eu lembro
até hoje a gente foi no House of
Pancakes, que era um lugar que ela
falou: "Como você gosta de tomar café?"
Fala House of Pancakes. Vamos lá pro
House of Pancakes que eu até levei minha
família lá no House of Pancakes depois
anos depois conhec. Aí a gente foi e
tomando café, ela começou a conversar,
ela me explicou duas coisas
que mudaram a minha forma de enxergar
música. Essa mulher foi realmente
incrível. Ela falou assim: "Nelson, na
música as pessoas confundem muitas
coisas, mas tem duas coisas que são
muito diferentes. Uma coisa é praticar,
outra coisa é estudar.
Quando você tá praticando, você pratica
as coisas que você já sabe. Você só fica
repetindo aquilo que você já sabe. E
tudo bem, não tem problema nenhum. você
vai repetir porque você tem que botar
aquele debaixo da mão e você tá, né, eh,
mantendo a sua técnica, mantendo. Então,
quando você tá praticando, você tá
trabalhando com material que você já
conhece.
Quando você tá estudando, você tá
trabalhando com material novo, aquilo
não está debaixo da tua mão e demora um
tempo para est debaixo da tua mão. Você
vai ter que praticar o material estudado
para que ele venha a fazer parte do teu
eh da tua do teu vocabulário, da tua
forma de tocar, né, da a tua técnica e
tudo. Ele falou desde ela falou assim,
desde que você chegou aqui, você só tá
estudando, você tá aprendendo um monte
de coisa nova. Você pegou um instrumento
que você não tocava, você pegou uma
paleta pela primeira vez na vida, você
nunca tinha tocado uma escala maior, não
tinha mesmo, não. Não fazia solo, só
tocava harmonia. Você nunca tinha tocado
numa escala maior. Você tá tocando
escala maior, menores, alterada,
diminuta. Ou seja, você tá, é um mundo
novo que você tá estudando e que não tá
debaixo da sua mão. Então, quando você
vai tocar, você quer tocar tudo aquilo
que que você tá estudando, mas não sai.
Então, a sensação que dá é que você tá
piorando, porque o que você tocava, você
não quer tocar mais. você tá querendo
tocar uma coisa nova e o novo não tá não
tá debaixo da mão. Então isso gera uma
frustração gigantesca. Então ela me
explicou isso, praticar uma coisa,
estudar outra. Agora aí ela falou o
outro lance, essa coisa dessa
frustração, esse limbo que a gente
passa. E ela falou o seguinte, e tem uma
outra coisa na música, um aprendizado,
que é você não se retroalimenta do que
você tá estudando, sabe? Não é assim, eu
vou estudando e vou melhorando, vou
estudando, não existe isso. Não, não é
assim para você, não é assim para
ninguém. A pessoa não vai estudando, vai
melhorando, ela vai estudando, vai
ficando no mesmo nível, porque ainda não
conseguia absorver. Então assim, o o o
teu crescimento não é linear, não é uma
coisa que vai assim, é uma coisa que vai
assim, você fica aqui parado, parado, um
dia você acorda e faz assim, pum, opa,
veio. É de uma hora para outra. E é
mesmo. Então você vai ter que aprender
pro resto da tua vida enquanto você
tiver estudando. Se você tiver só
praticando, não, você não tem que
conviver com isso. Mas se você, enquanto
você tiver estudando, você vai ter que
aprender a conviver com esse limbo, com
essa fase onde você vai estar aqui e
esperar esse salto acontecer.
E se você estuda e e pratica o que você
tá estudando de forma consistente, você
vai dar esse salto na tua vida inúmeras
vezes e vai ter que passar por esse
limbo inúmeras vezes. E assim foi a
minha vida e é até hoje, porque eu
continuo estudando até hoje, continuo
passando pelo limbo, me frustrando, mas
sabendo que eu vou dar um salto ali na
frente, então já fico um pouco mais
tranquilo. Mas e eu quase desisti essa
mulher realmente eu quando eu falo que
eu acho que foi Deus porque primeiro
porque eu pedi e aí Deus me coloca essa
pessoa na hora que eu tô indo pra escola
se ela não tivesse passado ali naquele
lugar eu teria ido [limpando a garganta]
lá pegado meu minha desistência e
voltado para Brasil.
&gt;&gt; Ia ser um economista hoje
&gt;&gt; provavelmente ruim. [risadas]
&gt;&gt; Tá bom.
&gt;&gt; Você diz que o guitarrista precisa ter
dois ouvidos e uma boca.
&gt;&gt; Opa.
&gt;&gt; Que que você quer dizer com isso? Tem
que ouvir mais do que falar, é
&gt;&gt; ouvir mais do que tocar, tá,
&gt;&gt; né? Porque um dos, eu vejo isso muito,
principalmente no no no cara que tá mais
novo no instrumento e tá começando a
tocar bem, o cara tá começando a tocar
bem e ele ele não para para ouvir quem
tá do lado. Ele quer mostrar as coisas
que ele tá estudando, as coisas que ele
tá praticando. Ele quer, então ele quer
chegar e tocar, mesmo que aquilo não
tenha nada a ver com o contexto que ele
tá. Isso é um dos erros mais básicos,
né? Todo mundo já passou por, eu já
passei por isso, eu sei o que que é
isso.
&gt;&gt; Eh, quando a gente faz isso, a gente
comete algumas coisas. Primeiro que a
música não acontece. Segundo, que a
gente fica com problema de tempo, porque
você para de ouvir a banda e fica só se
ouvindo. Quando você vê, você tá em
outro lugar. Você não tá tocando no
mesmo pulso dos caras, do resto da
banda. Você não tá tocando no nem no
mesmo compasso às vezes.
&gt;&gt; Tá. Eu já vi isso acontecer, cara. Já vi
aluno meu que depois eu tive que pensar
o cara. bicho, olha, dois dois ouvidos e
uma boca. Entra, ouve a música, vê como
é que você vai conseguir se colocar,
onde é que você pode contribuir
musicalmente. Não é chegar e tocar uma
coisa que você quer, né? Você tem, a
música é para ser feita se tem mais de
um tocando junto. É claro, se tiver
tocando sozinho aí tudo bem, pode ficar
só falando. Mas quando tem duas pessoas
pelo menos, cara, você tem que ouvir
mais o que o outro tá fazendo para você
poder saberonde é que você vai
contribuir. Senão a música não acontece,
vira um sei lá o quê, viram cada um
tocando uma coisa. Os dois podem estar
até tocando muito bem, tecnicamente,
etc., mas não tem música. Música é outra
coisa.
Nelson, você acha que essa sua
mentalidade
foi o que te ajudou a tocar com esse
mundo de artistas que você tocou, esse
monte de disco que você tocou? O que que
você acha?
&gt;&gt; Com certeza. Com certeza. Se eu puder
dar uma sugestão pras pessoas que estão
mais no início de carreira, presta muita
atenção, né? Vou falar aqui direto
olhando, cara. presta muita atenção na
música que tá sendo tocada e como você
pode contribuir. Eh, e às vezes eu vejo
pessoas muito preocupadas com a parte de
solo, sem se preocupar com a parte de
base, sem fazer sem fazer harmonias eh
interessantes, sem conhecer um, sem ter
um vocabulário de acordes interessantes.
Eu vou te garantir uma coisa. Quando
você gravar um no disco de qualquer
pessoa, até mesmo no seu, 80% do tempo
ou 90 você vai estar fazendo base cordes
e aqueles 10% você vai estar solando. No
teu disco você pode aumentar isso um
pouquinho, mas no disco dos outros,
basicamente você vai estar acompanhando
e vai est fazendo eh um solo aqui e o
solo ali. E se você não faz um bom
acompanhamento, se você não tem um tempo
bacana, não tem um vocabulário bacana,
harmônico, ninguém vai te chamar para
fazer aqueles 10% de solo, porque o cara
não quer chamar um cara para fazer o
solo, outro cara para fazer a base. Não,
cara, eu te chamei para gravar o dia,
você vai fazer tudo, né?
&gt;&gt; E e se você não faz uma boa base,
esquece, o solo não vai ser mesmo, né?
Então, eh, se eu tenho algum conselho
para dar alguma sugestão, nem nem chamo
de conselho, mas alguma sugestão, se
você quer entrar no mercado eh tocando,
gravando e tocando com outras pessoas,
primeiro, dois ouvidos e uma boca.
Lembra desse ditado? Você tem que ouvir
o que que tá acontecendo para depois
poder falar. E
fique atento à parte da base, né,
baixistas? Então, uma loucura. Às vezes
eu vejo baxista solando muito bem, fala:
"Bom, agora me acompanha aí". E o cara
não consegue. Guitarristas também. Eu
falo, cara, que loucura. Não sabe
acompanhar direito, né? É.
&gt;&gt; E e isso é um estudo super importante. É
porque às vezes o cara pensa assim:
"Não, mas o cara que tá acompanhando não
tá aparecendo tanto quanto o solista".
OK, é verdade, mas se você for um um um
solista e tiver um cara te acompanhando
mal, você vai solar mal. que ninguém,
nem o Charlie Park, eu falo assim, o
Charlie Parker para mim é um dos maiores
improvisadores do mundo. Nem o Charlie
Parker consegue fazer um bom solo. Se
tiver um cara acompanhando ele com tempo
ruim, ele vai resolver. O cara não
resolveu, o cara vai ficar e eh com a a
subdivisão errada, né? Um erro que
acontece muito, cara, nas pessoas é é
não ter consciência da subdivisão.
Então, o cara, a música tá numa
subdivisão ternária, o cara tá numa
subdivisão binária, ou quaternária,
porque ele só tá pensando no 1 2 3 4.
Você tem que pensar o que que tem entre
um, o dois, dois e o três, o três e o
quatro, né? E o 4 e um de novo. Se é
cada música tem uma onda e a forma de
tocar tem que coincidir com isso. Se a
música tiver subdivisão ternária, eu vou
aqui.
1 2 3 1 2 3 1. Se eu tivesse no
quaternário,
[música]
muda tudo, muda onde eu vou fazer assim,
muda tudo. E às vezes eu vejo os caras
tocando com isso trocado, porque ele
aprendeu a fazer de um jeito e não se
colocou na música que tá sendo tocada.
[risadas] Fica uma confusão, né?
Ó, vou te fazer uma pergunta. Então,
além, obviamente, de ser seu aluno não
fica dica premium, o que que uma pessoa
comum poderia fazer para começar a
internalizar esse tipo de coisa? Um
exercício simples para começar nesse
mundo? Eu te faço essa pergunta porque
eu não consigo me imaginar fazendo um
negócio desse.
&gt;&gt; Hã?
&gt;&gt; Aí eu queria ver assim, pô, o que que eu
posso fazer
para começar a entender esse mundo que
você que você vive?
&gt;&gt; Tá? Primeira primeiro você ter
consciência de que existe isso. Isso eu
acabei de te falar, você já tá com
&gt;&gt; Acabei de ver. Acabei [risadas] de ver.
Tô assustado, tô preocupado.
&gt;&gt; Outra coisa é você ouvir, porque eu acho
que tudo começa daqui,
&gt;&gt; você ouvir música e conseguir perceber
qual é a subdivisão, se a subdivisão é
ternária ou é quaternária. Eh, ontem eu
eu tava a gente tava na eh ouvindo a
mixagem do disco do Ulisses Rocha. Fui
para um estúdio com ele aqui. Ele tá
gravando um disco incrível, com batera
maravilhoso, com bachista maravilhoso. E
ele é um violonista, pô, acima de
qualquer, né? É um super violonista. E
aí a música quando começou não tava
óbvia a subdivisão. Quando chegou ali lá
pro, sei lá, final da primeira parte, eu
falei, ah, é uma é um ternário, a
subdivisão, a música é quaternária.
Entender que tem uma divisão, às vezes a
pessoa acha que, quando eu falo e eh eh
a subdivisão ternária, o cara acha que é
uma valsa. Não é um 4x4 normal, né? Só
que a subdivisão, falei: "Ah, agora que
eu saquei a subdivisão internal". Ele
falou: "É". E aí tava tendo um pequeno
choque num negócio ali. Olha só, tô
falando de músicos de top, né? Um
pequeno choque. Aí eu falei, "Presta
atenção naquele ataque, se não tá tendo
um negocinho ali". Ele falou: "Puta, é
mesmo? Bateram aqui, vamos, vamos mexer
aqui nessa é um cabelo, né? Um para cá.
Vamos trazer essa caixa 1 mil para cá.
Ah, aqui casou certinho. Então são são
pequenos detalhes que fazem uma
diferença gigantesca na música.
Gigantesca. Então você ouvir a música e
perceber qual é a subdivisão. Fal
falando assim de uma forma bem bem
óbvia, se você ouve um blues, o blues é
subdivisão ternária. O blusa é 1 2 3 4
falei 1 2 3 4, mas é 1 2 3. Um 2
1 2 3 1 2 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 2 4. Então
1 2 3 4 1 2 3 2 3 1 2 Você ouve um blu,
é óbvio, a coisa mais gritante, né? Às
vezes você pode fazer isso tudo de uma
forma muito mais
&gt;&gt; eh eh eh sutil, mas você pega um blues,
um shuffle, é subdivisão ternar. Você
pega um samba, é quaternária. A
subdivisão,
&gt;&gt; o samba é binário com subdivisão
&gt;&gt; quaternária.
&gt;&gt; Quaternária.
&gt;&gt; Então você pega, por exemplo, depois vou
te dar um exemplo ótimo aqui pro pessoal
pensar aqui. Vai ser bom. Então você
pega um samba, vamos supor o cara vai
um, dois, um dois. Na cabeça do cara tá
um, dois.
ti
um t não é um bat do um dois aqui é blu,
né?
&gt;&gt; Tá.
&gt;&gt; Quer saber? Um
&gt;&gt; é
&gt;&gt; um que é bacana. Parabéns para você.
Vamos ver se você sabe. V subs para
&gt;&gt; Parabéns para v primeiro o compasso. Ah,
&gt;&gt; essa data que compasso dá para saber
muitas. [canto] 1 2 3 1 2 3 Um. É um é
um é uma valsa. Tá
&gt;&gt; ternário.
&gt;&gt; Parabén [canto]
você. Agora, qual que é a subdivisão?
&gt;&gt; É quaternária. Divisão.
&gt;&gt; Se fosse quaternário seria assim. Eu nem
sei cantar seria. [risadas]
tá
voltei. Se fosse quaternário seria
assim.
&gt;&gt; É ternári que ele faz
do tr. [aplausos]
Você viu que todas as notas que eu canto
estão dentro de uma subdivisão ternária
do tempo. Então, parabéns.
1 2 3
&gt;&gt; Parabéns
para você.
Se fosse quaternário seria
para não sei contar. Parabéns
para você. Seria, seria um susto quase,
né?
Então é muito louco que o o parabéns
para você é ternário, com subdivisão
ternária,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; O que de fato é um compasso composto que
é um 9x8. Parabéns para você. É em 9
por8, não é em 3 por4,
&gt;&gt; car.
&gt;&gt; É porque aqui, ó, 1 2 3, ó. Ah, dois
três. Para cada três desse, para cada um
tempo, eu tenho três.
&gt;&gt; Tem três,
&gt;&gt; né? Então eu tenho três colcheias para
cada para cada ser mínima. Então tenho
um da tá do 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2
3 Isso dá
vezes uma colcheia dentro de um compasso
que é 9 por 8.
&gt;&gt; Entendi.
&gt;&gt; Então parabéns para você. É um 9 por8.
Então às vezes o cara fala: "Nossa,
compasso dificíimo 9 por8 aí qualquer
qualquer qualquer aniversário casa.
Parabéns. Tá cantando 98 para [risadas]
você. Não é, se tiver cantando no tempo,
né?
&gt;&gt; É. Aí tem o pessoal que faz, tem o
pessoal que faz o parabéns para você com
subdivisão quaternária.
&gt;&gt; É.
&gt;&gt; E, e faz e não faz em três, faz em
quatro ou faz em dois, faz aquele p como
é que é que faz em sama, né? Parabéns.
Aí foi subdivisão quaternal já. Tá.
[canto]
Então isso aí o que a gente chama de no
computador, quando você tá programando,
chama de mid, na época do mid, hoje em
dia não sei que o pessoal usa mid,
&gt;&gt; mas e eu usei muito, você tinha que
quantar. É a mesma coisa até hoje.
&gt;&gt; É, então quando você quantiza, você tem
que saber se você quantiza no 16, que é
a quaternária, ou no 12, que é a divisão
ternara. Então quando você fala, vou
quizar 16, a música vai ficar toda
pá. Você você faz no oito, vai ficar tom
o rock and roll, por exemplo,
&gt;&gt; tá?
O cara vai pro blues, é dizer, é, é o
12.
Aí todos, todas as notas que foram
tocadas vão encaixar dentro de uma
subdivisão do 12, né? Se for um samba é
no 16, na quantização 16. Se for o outro
é quantização oito. É por aí,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; E isso você tem que saber na prática.
Quando você senta para tocar com outra
pessoa,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; Começou a tocar, como é que eu vou
sentir essa música? É o sentimento da
música. Olha que loucura. Nós estamos
falando como é que se sente a música.
Tecnicamente falando, é assim que a
gente sente a música.
&gt;&gt; Então o exercício é
&gt;&gt; ouvir,
&gt;&gt; ouvir
&gt;&gt; e fazer esse tipo de coisa. Peg, como
fiz aqui uma brincadeira com você no
parabéns para você.
&gt;&gt; É porque aqui é lógico, você tá so
pressão, tem que responder na hora. Mas
se você parasse, não, deixa eu sentir
que que é o parabéns. Se eu sentir que a
subdivisão é ternária, parabéns para
um, do
Não é um do
bem.
Você não é assim, né?
&gt;&gt; É, entendi.
&gt;&gt; Sagou?
&gt;&gt; Muito legal.
&gt;&gt; É, é bom, cara. É bom demais. E como
isso?
Como isso na música tem tanto detalhe?
Eu costumo falar com meus alunos que é o
seguinte: quer aprender música? 3 anos
você é suficiente para você saber tudo.
3 anos.
&gt;&gt; Nossa. É. Agora vai levar o resto da
vida para trabalhar os detalhes,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; O detalhe, meu amigo, vai te levar 50
anos, 60 anos.
&gt;&gt; É os detalhes. Porque a diferença entre
um músico normal para um músico top é só
um detalhe. tocam os mesmos acordes.
Acordes maior, menor, meio diminui.
Agora, como é que o cara faz? Como é que
é o voicing que ele arma? Como é que ele
distribui aquelas notas?
&gt;&gt; As escalas são as mesmas. Escala maior,
escala menor. Como é que o cara frase?
Como é que ele faz o ritmo? Onde que ele
resolve? Isso tudo é detalhe. Então, o
cara saber o básico, 3 anos você vai
saber as escalas todas, os acordes
todos, tá tudo certo, o ritmo básico.
Agora vai
timbre. Você trabalha com timbre, né?
muito mais do que eu, tá, né? Então,
você tem um conhecimento sobre timbre
que eu não tenho, você sabe de coisas
técnicas em relação ao timbre que eu não
sei, né? É porque eu não toco que nem
você, né? Tem que ficar alguma coisa,
[risadas]
&gt;&gt; então
&gt;&gt; tem que me divertir em algum lugar, né?
É. Não, mas eu aí que eu falo o
seguinte, tocar com com o som que eu
toco, eu só plugo e toco. Agora tocar
com o som que você toca, que você
encontra, você vai ter que trabalhar.
Tem jeito. É, é basicamente é isso. É a
mesma coisa, só que emburacando pra área
do timbre, por exemplo, que é outra área
também dentro da música.
&gt;&gt; É, é interessante, né? Porque você tá
falando isso eu, eu lembro lembrei aqui
do Andy Timons e do e do Paul Gilbert.
&gt;&gt; Uhum. Porque eu lembro do Paul Gilbert
fazendo um workshop no Japão
e ele tava lá demonstrando, tocando,
cantando Frank Sinatra no meio das
coisas assim, que ele começa a mostrar
uma faceta que não é a faceta do rock
ali e tal, né?
E
chegou uma hora que ele virou e alguém
fez uma pergunta para ele, ele falou
assim: "Ó, da próxima vez vocês podem me
chamar para eu tocar para vocês, porque
vocês me chamam muito mais para falar do
meu timbre do que da minha música". Ele
ele ele falou falou uma dessa, né? E a
gente vê que tem artistas que t uma
identidade sonora
&gt;&gt; que acaba sendo muito impactante. O Andy
Timos, para mim é o cara que tem talvez
um dos timbres mais eh eh eh refinados
do da parte do rock, né? Eh, e ele é
muito requisitado pelo timbre, né? E tem
artistas que são requisitados porque a
gente espera o timbre dele, por exemplo,
Robin Ford,
&gt;&gt; mas também pelo play,
&gt;&gt; né? fala: "Não, isso a gente a gente
quer ouvir o Roben Ford de qualquer
jeito, né?" E
&gt;&gt; Roben Ford é demais.
&gt;&gt; Eu eu não lembro do Roben Ford fazendo
clínicas
&gt;&gt; com frequência sobre timbre, esse tipo
de coisa, né? Eh, mas eu já vi o Andy
Timons fazendo isso, Paul Gilbert
fazendo isso, mas um monte de gente
fazendo sobre sobre timbre e não
necessariamente sobre sobre a música. O
Paul Gibt faz muito também por causa da
técnica super apurada e tal, todo mundo
gosta daquilo lá, né? Eh, agora queria
te fazer uma pergunta seguinte. Você
tava falando aqui no começo que você
começou a tocar com as pessoas que eram
seus ídolos. Então, e eu vejo você cada
hora num lugar tocando. Você você tem aí
eh multifrentes. Eu vejo que você é um
empresário, que você é um músico, você é
um professor e imagino que você fique
muito tempo fora e você tem acompanhado
esses artistas, tenha ficado muito tempo
fora de casa.
Deve ter alguma história interessante aí
no meio, embaraçosa. Eu gosto de contar
umas histórias embaraçosas e se for
muito embaraçosa, eu te dou a liberdade
de nem falar com quem que aconteceu, né?
Mas alguma coisa assim inusitada, tem
alguma coisa que aconteceu com você ao
longo desses anos? aconteceram
algumas coisas, não necessariamente
eh,
mas aconteceu coisas interessantes. Vou
vou contar algumas, porque o seguinte,
quando você tá no palco, cara, não dá
para parar,
&gt;&gt; não dá,
&gt;&gt; né? E eu ainda nem era assim um cara
mais conhecido na época ainda, nem a
Zélia Duncan era. E a gente tava fazendo
um show em duo nós dois,
&gt;&gt; tá,
&gt;&gt; cara? no meio e era só violão em voz e
no meio do negócio me deu uma dor de
barriga, mas uma dor de barriga assim
e eu falei: "Cara, Zé, no meio da
música, eu olhei para ela, falei assim,
ela olhou para mim". Eu falei: "Parou,
tirei o violão que saí do palco ô louco,
tive que ir no banheiro." Então assim,
mas imagina ela que ficou no palco,
[risadas] o que que aconteceu com esse
cara, né? E aí você voltar pro palco
depois com uma cara de, né? Pô, estava
no banheiro porque eu tive uma diarreia,
uma, né? Então assim, essa foi uma
situação bastante embaraçosa. Teve uma
outra, agora vou contar uma mais
delicada,
eh, que foi muito engraçado. Eu tava
tocando em Viena, lá naquele aquela
aquela ópera de Viena, onde acontece
todos os grandes concertos, tal.
&gt;&gt; Fiz lá com o João Bosco e o Gonzalo
Rubabo,
&gt;&gt; uma turnê grande que a gente fez que era
o eu, Kiko, Nei Conceição, Kiko Freitas
e o Nei Conceição com João Bosco e
Gonzalo. Então no
&gt;&gt; piano baixo bateria e e o João, né?
pegando guitarra baixo bateria e o João
Bosco. E aí a gente fez um showzaço lá,
chegou no final do show, a gente tá
saindo do palco, aí chegou uma uma
menina e olhou para mim assim: "Vem cá,
vem cá, tudo bem". Quando eu cheguei,
era uma brasileira, ela pegou uma foto
de uma criança, falou assim: "Dá pro
João Bosco isso aqui?" "Minha filha se
chama Jad por conta dele." Falei: "OK, o
pior, o pior que antes, a coincidência,
a gente tava no camarinho". Gonzalo
Rubaba falou assim: "Pô, Jo, imagina se
um dia você chega num lugar para tocar e
tem uma pessoa que diz que tem um que
tem um filho seu, meu que [risadas]
João Pô, não, pelo amor de Deus."
Aí tá, aí acabou a mulher, eu falei:
"Cara, que isso?" A gente tava falando
sobre isso. Entrei no camar, falei:
"João, bicho, [risadas]
dá uma olhada nessa foto aqui.
Uma menina falou que essa menina chama
Jad. Ela tá aí, ela vai entrar no
camarinho pediu para eu entregar a foto
para você." O João ficou olhando, fala
para ela entrar, vamos ver o que que é
isso. Aí a menina entrou, relaxou tudo,
né? Porque ela chegou e falou assim:
"João, eh, essa minha filha chama Jade,
porque quando eu e meu marido estávamos
fazendo amor e ela foi concebida, nós
estávamos ouvindo a sua música, Jado,
[risadas]
me salvei dela."
&gt;&gt; Engraçado.
&gt;&gt; Mas foi muito engraçado porque logo
antes do Camaria a gente tinha falado
sobre isso, Gozado tinha falado, aí
chega essa pessoa e me dá esse negócio,
né? Foi engraçado demais, mas é isso. As
situações são mais ou menos essas, né?
&gt;&gt; Agora falando um pouquinho desse lado,
você tá saindo,
&gt;&gt; desculpa, já aconteceu uma que eu
cheguei, eu tava morrendo de pressa, saí
de casa igual louco. Eu tava atrasado
pro show, show com a Cácia e a Hélier.
Eu cheguei no show sem guitarra,
&gt;&gt; esqueci a guitarra em casa, bicho.
&gt;&gt; A minha sorte que que o show, eu morava
no Rio, morava no Jardim Botânico, o
show era em Panema.
Então, cara, eu cheguei pro cara lá,
falei: "Bicho, vou ali em casa e pega a
minha guitarra". Liguei pra minha
esposa, falei: "Porra, manda minha
guitarra". Ó que loucura. Chegar no show
sem guitarra, guitarra,
[risadas]
&gt;&gt; Foi o que você fez hoje também, né?
&gt;&gt; Foi o que eu fiz hoje aqui. Por isso que
eu tô com essa essa tajima aqui. Eu uso
uma tajima também, mas a minha é bem
diferente dessa.
&gt;&gt; Acústica.
&gt;&gt; Inclusive, a gente fez uma homenagem a
você com o Michel Caramelo aqui, usando
sua guitarra aqui. [música]
&gt;&gt; Eu assisti. Bacana demais.
&gt;&gt; Legal.
&gt;&gt; Aliás, obrigado, Michel. Arrasou. O
Michel é um craque, né? O Michel é um um
músico muito eh versátil também, né? Um
cara que toca
em várias situações, toca violão de
nylon, violão de aço, guitarra sólida,
guitarra acústica, toca jazz, toca pop,
&gt;&gt; Floyd Rose, toca rock and roll, ou seja,
&gt;&gt; eh eh tem alguns guitarristas
&gt;&gt; são assim, não são muitos, mas tem
alguns craques assim,
&gt;&gt; eu eu acho o Michel Caramelo, um deles
que eu admiro muito, outro é o João
Gaspar lá no Rio, né? O Michel Caramelo
e o João Gaspar lá. Jogas pai é mais ou
menos é um um é alterego do Michel
Caramelo lá no Rio.
&gt;&gt; É
&gt;&gt; porque ele também toca, cara. Ficando, o
cara toca jaz bem, toca pop bem, toca
rock bem. Aí tem aquele monte de
guitarra, uma é acústico, outro é só
olha, da outra não sei o quê. É o
&gt;&gt; eu no começo da minha carreira eu eu
tive que abrir esse leque para trabalhar
que às vezes você ia num estúdio ia
gravar um negócio, cara, eu quero um
violão de 12, então tem que ter violão
não, quero uma guitarra mais rock and
roll, OK? Na fase que eu toquei com a
Cácia, era rock and roll direto. Mas
depois, aos poucos, eu fui achando um a
a minha assinatura. Falei: "Não, cara, o
que eu quero é isso". Aí fui tirando os
pedais. Eu tinha, pô, levava uma
geladeira pro palco, guitarra mid,
um monte de hack, pedaleira para
caramba. Eu fui vendendo tudo. Falei: Aí
depois eu chegou uma fase que eu chegava
no palco com cabo, falei: "Onde que eu
posso ligar isso aqui? É, liga. Foi.
Hoje em dia eu já chego com uma, pode
fazer propaganda aqui, vou falar.
&gt;&gt; Hoje em dia eu já chego com a minha
GT000 da
&gt;&gt; da Boss
&gt;&gt; que tem ali um um VS. É VS que a gente
chama.
&gt;&gt; É não, um simulador.
&gt;&gt; Um simulador.
&gt;&gt; Não é VS que chama. Não, se [risadas]
&gt;&gt; eu não vejo nada disso. Mas aí tem um
negócio cara que quebra meu galho danado
assim,
&gt;&gt; porque às vezes eu chego no lugar e o
amp tá muito ruim, aí eu eu tenho lá uma
uma série de eu tenho os efeitos que eu
uso que são uns três ou quatro
&gt;&gt; e aí eu eu tenho esses mesmos três ou
quatro com um amp ligado, um amp virtual
ligado. Então, se eu chego num lugar que
não que não tá legal, o 1 2 3 4 da minha
pedaleira é é o normal e o 7 8 9 10 é
com o é com o ramp ligado que é o que é
eu boto ali um deluxe ligado mete na
linha e
&gt;&gt; aí eu posso linha na linha então que eu
vou fazer de linha
&gt;&gt; tá
&gt;&gt; mas às vezes eu prefiro fazer uma por
causa do do do da caixa
&gt;&gt; tá
&gt;&gt; porque quando você faz da linha você tem
que ouvir no retorno e às vezes a caixa
do retorno é
&gt;&gt; é
&gt;&gt; ms [risadas]
&gt;&gt; legal legal tem uma história curiosa com
o Michel que a gente fez um evento há
uns dois anos atrás, né, da da R, um
evento que de um dia inteiro a gente
colocou um monte de gente lá e eu tinha
vários músicos dando palestras ali, né?
O Michel foi um deles e todo mundo ficou
impressionado, fiquei impressionado com
ele e tal. E nesse dia eu falei: "Ô,
Michel, dá para eu fazer umas aulas para
vocês? Tem um horário e tal?" Fal, "Não,
tô, vamos, vamos, vamos fazer tal". A
gente ajustou, né? E eu avisei para ele
naquela hora, falei: "Michel, é o
seguinte,
eu não estudo, cara. Você você não pode
ficar frustrado comigo porque eu não
tenho tempo, não consigo, pô, eu quero
sentar ali e tocar aquele momento. Aí
falou: "Não, tá tudo bem". Aí o que que
aconteceu? Foi aquela aquela enchente no
Rio Grande do Sul, você lembra?
&gt;&gt; Lembro, claro.
&gt;&gt; E a minha esposa é de lá e ela pegou e
tava preocupado com a mãe, foi para lá,
só que ela não conseguiu voltar mais.
&gt;&gt; Que loucura.
&gt;&gt; Porque tava tudo inundado, não tinha
avião, aeroporto fechado, não sei o quê.
E aí eu fiquei aqui, cara, um mês
sozinho e eu comecei a fazer as aulas
com Michel, né? E aí o que acontecia?
Tava sem a esposa, pegava a minha sala
ali, colocava computador, monitor,
guitarra,
páginas, tal, e eu pegava e comecei a
estudar as coisas que o Michel me
passava.
&gt;&gt; Aí fizemos a primeira semana, né? Fiz a
primeira aula e comecei a estudar a
semana inteira que tava sozinho. Aí
cheguei na segunda aula, ah, vamos aí o
me falou: "Tá,
&gt;&gt; você não estudou? Tem certeza?
&gt;&gt; Tá bom, né?" [risadas] Aí na terceira,
na segunda semana a mesma coisa.
Terceira semana a mesma coisa, né? Aí
fala: "Ah, Brunete, você tá me
enrolando, cara. Você tá estudando tudo,
fazendo coisa que eu não falei e tal,
não sei o quê". aí minha esposa
voltou,
&gt;&gt; acabou, acabou a [risadas] festa.
Não toquei mais, cara. Não toquei mais.
Aí acabou, né? Mas e e eh eh é um
negócio que é é interessante o estudo,
porque a gente acaba fazendo coisas, por
exemplo, um uma das coisas que eu fazia
muito ali com ele era era improvisação
mesmo, né? Então, colocar uma base e
ficar ali tocando. Poxa, mas eu só tenho
essa ferramenta nessa base aqui. Mas
tocava, tocava, tocava, tocava e
começava a aparecer coisas que eu não
faria normalmente assim. E aí ia
percebendo, né? Só que assim, eh eu vou
conseguir, né? Mas eu vou levar uns 425
anos, né? para chegar lá, mas tudo bem,
não tô com pressa. [risadas]
&gt;&gt; Mas tem umas coisas legais que a gente
vai descobrindo quando toca. Quando você
tá tocando em cima de uma base, às vezes
os cara fala assim, ó, toca aí uma a
pentatônica, né? Você tá lá, [música]
aí ele muda o acorde de fácil
e você continua.
Isso muda tudo, muda o som da nota. É
&gt;&gt; essa nota aqui, ó,
que você tava tocando, que era a terça,
aquela vira quarta aumentada.
Legal pr car is aqui. [música]
[canto]
Nono aumentada.
Quarta aumentada, né? Eh, aí o cara
fala, eh, sei lá, [música] faz aqui. Aí
já viram a quinta,
terça e nona. [canto]
Aí faz aqui, [música] aí faz já vira
nona, sétima maior e sexta. É, então o a
o som da nota vai mudando de acordo com
a função, de acordo com o que tem por
trás ali naqueles acordes. Então, quando
você faz uns backing tracks explorando
isso e deixa o cara só aqui, só na só
praticando na pentatônica, [música] eu
adoro fazer isso. Lá no fic tem uma aula
que é isso, o cara fica pratica só a
pentatônica, só que a harmonia que tá
por trás tá cabeluda, tá?
[música][canto]
Hum.
[música]
&gt;&gt; Eu quero.
[música]
[canto]
São as mesmas notas, [música] mas som
diferente. É, né? A nota, o som de uma
nota, ele tá muito mais ligado com a
relação que ela tem com acorde do
momento do que com a altura dela.
&gt;&gt; Eu gosto de fazer uma brincadeirinha que
eu vou deixar aqui pra sua plateia, que
é isso aqui. Você pega uma nota, essa
nota aqui, ó,
&gt;&gt; é uma nota, né?
[música]
Se eu colocar em, se eu vestir essa
nota, que a harmonia é como se fosse uma
roupa que você bota. Tá.
&gt;&gt; Se eu vestir essa nota [música] com uma
harmonia que vai fazer ela ser a nona
menor, ela vai ficar triste e vai querer
descer,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; Essa nota aqui, se eu botar esse acorde.
[música] Não chora não. Calma, Tá
chorando agora.
&gt;&gt; É triste, mas nem tanto. Calma. Ó,
[música]
você vê que ela quer fazer.
Ela não quer subir, ela não quer ver
para cá. Ela quer ver.
&gt;&gt; [música]
&gt;&gt; E é triste.
Agora, se eu transformar ela na na
sensível de do tono, na terça do acorde,
ela vai ficar alegre e vai querer subir,
vai fazer. [música]
&gt;&gt; Então, o som de uma nota não tem a ver
com ela,
&gt;&gt; tem a ver com você veste ela,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; Aí você veste, se ela vira nona menor,
ela tem um som. Terça maior, outro som.
Então, eh eh isso que eu falo com com
meus alunos, que na música tem um
caminho de consciência musical que
começa pelo ouvido. Primeiro você ouvir,
ouvir bastante.
O cara fala: "Ah, eu quero tocar Jais".
Você ouve J? Não. Então esquece, você
tem que começar primeiro a ouvir Jais.
Quero tocar rock and roll. Você ouve
rock and roll? Ah, então então dá para
tocar rock and roll. Você só vai tocar
aquilo que você ouve. Não tem jeito.
Então primeiro ouve. Tem que ouvir
muito. [limpando a garganta]
Depois você vai começar a tentar passar
aquilo que você ouviu pro seu
instrumento.
Então, como é que é aquele som que seu
que você tava ouvindo? Como é que é
aquilo no instrumento? Você vai
procurar, vai achar segundo nível de
consciência musical. Primeiro é só
auditivo. Segundo já é auditivo com a
relação no instrumento. Assim como uma
criança passa do anos só ouvindo, né? Aí
depois com um ano e meio para dois, ela
começa a a abrir a boca e ensinar o
aparelho fonador dela a falar aquelas
palavras que ela ouviu. Não as que ela
não ouviu, ela só vai falar aquilo que
ela ouviu. Igual gente, a gente só
consegue tocar o que ouviu. Então aí que
ela vai, ah, começou a falar, beleza.
Depois você começa a dar sentido. Pô,
mas essa nota aqui, [música]
o que que ela é? Ah, se o acorde foi
esse aqui, ó. 11ª.
Mas se o acorde foi esse aqui, tá?
[música] A terça, aí você começa a ter
sentido. Terça menor, né? Ah, legal.
Essa aqui, nona.
[música]
Ah, legal.
E se for, sei lá, se for essa aqui, o
pacote foi esse. [música]
É a tônica. Então, cada hora ela vai
sear de um jeito. Então, a terceira
terceiro nível de consciência, ouvir,
aprender a tocar, saber eh, a função das
coisas que você tá fazendo. E o último
nível de consciência é alfabetização,
tá?
&gt;&gt; É você saber ler e escrever. Aí quando
você já quando você tem esses quatro
níveis, você pode se considerar um
músico completo
&gt;&gt; e nessas quatro coisas você vai evoluir
&gt;&gt; pro resto da vida.
que você falou que em três anos dá para
fazer isso aí, mas depois é evolução.
Depois básico, é, depois é evolução. O
básico você faz, tá? Aqui não tem nada a
ver. Tem uma curiosidade. Isso daqui
parece eh um job sama de uma nota só,
né?
&gt;&gt; Exatamente. Ele faz
[música] terça menor, terça maior,
quarta justa, quarta aumentar [música]
&gt;&gt; que putz, é um negócio fora do comum.
Hum, hum. Pegou a mesma nota, cada hora
a nota sua de um jeito.
&gt;&gt; É,
&gt;&gt; é legal demais isso. O o Mterne quando
tá improvisando, ele faz muito isso. Ele
faz [música]
e fica fazendo esse tipo de coisa, fica
segurando uma nota e fica mudando só o
acordo. Ah, cada hora que nota é essa?
&gt;&gt; Você fica voando, né?
&gt;&gt; É, você fica viajando. É
&gt;&gt; legal.
&gt;&gt; Nelson, que que você acha do streaming?
&gt;&gt; Cara, eu acho que o streaming foi uma
revolução, né? totalmente
&gt;&gt; positiva ou negativa.
&gt;&gt; Eu acho que foi uma revolução positiva,
mas que precisa ser aperfeiçoada ainda,
porque o streaming ele ainda faz uma
distribuição
pouco
pouco equilibrada dos seus proventos,
né, das suas receitas. Então, eu acho
que o o stream ele precisa distribuir um
pouco melhor isso. Eh, o stream, por
exemplo, não paga e eh o o direito
conexo, tá? que então isso, isso, isso
aí foi uma coisa, uma falha, vou falar
das coisas ruins primeiro, né? Então
isso é uma falha gigantesca porque a
gente perdeu direitos com streaming.
Outra coisa que o streaming agora tá
conseguindo consertar é o streaming não
tinha ficha técnica. Então um eu cresci
a minha vida inteira desde criança lendo
ficha técnica.
&gt;&gt; Eu adorava também,
&gt;&gt; Adorava.
&gt;&gt; Quem gosta de música quer saber quem é o
baterista, quem que é o baixista, quem é
o, né?
&gt;&gt; Eu gostava de ler os agradecimentos.
Tudo
&gt;&gt; acho que o pessoal não faz nem ideia do
que a gente tá falando, né?
&gt;&gt; É, não faz. [risadas]
A ficha técnica, ela ela contava a
história do disco, pô,
&gt;&gt; né? Muitas vinham com com com letra das
músicas e todos os músicos tocavam. E
quando começou o movimento de música
instrumental, vinham com as partituras.
Hum.
&gt;&gt; Não sei se l um disco do Nelson Aires
que vem a compartitura daqui,
principalmente o pessoal aqui do do do
som da gente começou a lançar os discos
com as partituras no encate. Cara,
aquilo para mim se eu poder ouvir a
música vendo a partitura e tocando
junto, cara, aquilo para mim era uma
aula. Eu falei: "Cara, obrigado, cara".
Eu agradecia gigantescamente esses
caras.
&gt;&gt; Falei: "Cara, é muito generoso isso. O
cara dá a partitura da próxima música
para você ouvir e saber o que que tá
acontecendo ali, né? Quando você ainda
não tem como perceber ou ou a partitura
às vezes te ajuda, você não tá
percebendo um determinada coisa, se se a
partitura foi feita pelo compositor, que
foi bem escrita, aí você olha, é
isso. Ah, então isso aqui sou assim, né?
Eh, então isso aí é uma uma coisa que
que eu senti muito do streaming, que eu
falei: "Cara, isso aí você tá só negando
informação na era da informação,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; Não faz sentido nenhum. Porém, ao mesmo
tempo, o streaming consegue colocar você
na boca, na cara do gol, né? O streaming
consegue fazer eh a tua música chegar
instantaneamente nos quatro cantos do
planeta. Então, qualquer pessoa
pode ter acesso à minha música em
qualquer lugar do mundo. Eu não preciso
mandar um botar um CD físico dentro de
um envelope, botar no Correios e, né,
cara, imagina, antigamente era assim. É,
então o pessoal da Bossa Nova conta
muito isso, que eles quando eles não
sabiam do que que tava acontecendo. Aí
tinha um pessoal da Paner que foi
fundamental pra bossa nova, pra música
brasileira. Os caras viajavam, tinha um
voo internacional da Panel, os caras
traziam os discos de Jais dos Estados
Unidos, os caras ouviam aquilo. O
Menescal conta que o primeiro disco que
ele chapou foi um disco da Julie London,
chama Julie Her name, que é Julie London
com barnec na guitarra. Ele falou, o men
falou assim, cara, foi a primeira vez
que eu consegui ouvir aqueles acordes de
jaz claramente, porque os outros discos
de jaz vinham com big bang atrás, tá pá
guitarra só fazendo um negócio você não
conseguia ouvir guitarra, de repente o
negócio que era voz e guitarra, ele
falou: "Cara, tô ouvindo tudo". É.
&gt;&gt; E aí aqueles acordes são os acordes da
massa nova, os acordes desse disco.
&gt;&gt; Olha que loucura, influência,
&gt;&gt; que legal.
&gt;&gt; Os aquis do Barnecle são os aques que
originaram a harmonia da bossa nova,
cara. que que fez que que depois deu um
deu de retorno para isso, porque aqui
aquela coisa do cara pegar, adaptar,
misturar aquilo com samba, com as coisas
e mandar de volta, uma música totalmente
nova. E mas os caras ficavam loucos
quando chegava um disco, ia todo mundo
um pra casa do outro, vamos ouvir aquele
disco tal. E hoje em dia, cara, eu quero
ouvir um dia, a pessoa me fala de
alguém, fala: "Já ouvi o fulano de tal?"
Deixa eu ver aqui. Ah, já salvo ali, já
vou ver a hora que eu quiser. Na hora,
imediatamente, instantaneamente. Ou se
eu quero fazer um show, sei lá, na
China, o cara, ah, como é que eu faço
para vir seu trabalho? Tome aí meu disco
é assim, é, não tem nada melhor que
isso, né? É muito bom. Então, eu acho
que o o stream é muito positivo. A gente
tem acesso, você não precisa, quando
começou o MP3, a gente começava a fazer
HD e HDS de MP3. Não precisa mais de ter
aquele mão de HD de MP3. Essas músicas
estão aí guardadas pelos os os sites de
streaming,
as músicas todas, e você tem acesso
instantâneo a a toda a música que se faz
no planeta. Eles conseguem fazer também
uma curadoria interessante com as
playlists lá que eles fazem. Então,
quando eu abro lá, tenho às vezes eu
recebo sugestões muito interessantes,
pessoas que eu nunca ouvi, eu falei:
"Pô, mas esse cara é bacana, gostei
disso aí, né? Cara, que eu nunca tinha
ouvisto ouvido antes, porque eles sabem
que eu gosto disso, né? O tal do, como é
que chama isso? É o algoritmo, né? o
cara sabe que eu gosto daquilo, me
apresenta mais mais do meio, eh, fazendo
uma pequena aberturinha, né, para você
ouvir algumas coisas mais para cá e mais
para lá. Isso é legal. Eh, você mesmo
pode fuçar e caçar outras coisas. Eu
posso botar assim, música indiana, deixa
eu ver, música, sei lá, caribenha,
eu boto isso e vem, vem os artistas
todos, vem os música caribenha
instrumental, música angolana
instrumental. Deixa eu ver como é que é.
Ah, que legal. Então assim, e é e eh é
genial isso, assim, eu acho que não tem
volta, não tem como, né, você pensar que
não tem não, melhor não. Às vezes um
cara falando assim, não, não vou lançar
no streaming falei: "Cara, você tá tá
abrindo mão disso?" Sério mesmo, cara?
Ah, os caras pagam muito mal, tudo bem,
&gt;&gt; pagam mal, realmente. Mas eu não sei se
isso é motivo para você não tá ali
exposto, né? Eh, como um streaming te
expõe, eu acho muito legal. Como eu
falei, precisa ser aperfeiçoado.
Precisa, mas eu acho que isso é um
processo, né? É um processo. Vai ser
aperfeiçoado, né? As os as majors, elas
tem que bater. Quem tem força para bater
tem que bater.
&gt;&gt; É,
&gt;&gt; né? Eh, bater e falar: "Olha, pera aí,
vamos distribuir essa grana de uma forma
mais equânime, né? Tem que ter um
direito conexo, tem que ter ficha
técnica, né? Às vezes eu acho que eles
tiram a ficha técnica exatamente por
causa do conexo,
&gt;&gt; porque o conexo é o que paga o músico
que tocou, né? Então
&gt;&gt; o cara nem divulga que tocou para não
ter problema.
&gt;&gt; É, Nelson, muitíssimo obrigado pela sua
presença. Espero que você tenha gostado
de ficar do outro lado.
&gt;&gt; É, pô, adorei. Para mim, eu ficava aqui
faz um tempo ainda. E eu queria que você
finalizasse aqui tocando alguma coisinha
pra gente encerrar. Então, muitíssimo
obrigado pela sua presença aqui mais uma
vez no Bret TV Show. Espero que você
tenha curtido bastante a visita do
Nelson e vamos finalizar com um
sonzinho.
&gt;&gt; Vou tocar um standard qualquer da Acabei
de gravar um disco que foi muito bacana
para aproveitar aqui esse momento para
falar disso com um guitarrista que eu
admiro muito, que é um e que nós
descobrimos uma afinidade gigantesca
musical que é o Sandro Hike. Eu já tinha
ouvido o Sandro muitas vezes e
obviamente uma coisa é você ouvir a
pessoa, outra coisa você sentar ao lado
e sentir o tempo. como é que ela sente o
tempo, aquelas coisas da subdivisão,
como é que a gente encara o fraseado, o
vocabulário que o cara tem, o que você
tem. E
eu e Sandro
recebemos da Tajima guitarras assinadas,
né?
&gt;&gt; Então existe a guitarra Nelson, Tajima
Nelson Faria, existe a guitarra Sandro
Hike.
&gt;&gt; Então aí eu preciso falar uma coisa que
aconteceu aí que é meio desagradável,
mas é verdade. Aham.
&gt;&gt; O dia que eu coloquei o seu vídeo no ar
da Nels Faria.
&gt;&gt; Aham. O Sandro me ligou na hora, falou:
"Ô, Brunete, e a minha? Vamos fazer
[risadas] o vídeo
na hora. Assim, na hora que falou nossa,
fazia um tempo que eu não faz com
Sandro, daí tá ele lá". Inclusive,
Sandro, você sabe que você é de casa,
né? Pode vir aqui a hora que você quiser
de casa. Mora aqui em São Paulo, só ele
mora aqui do lado, ele mora aqui
pertinho.
&gt;&gt; Então, que que aconteceu? O Sandro me
ligou e falou: "Pô, Nelson, a Tajima
lançou a a sua guitarra assinatura e a
minha também. Que que você acha da gente
fazer um duo? para divulgar suas
guitarras. Eu falei: "Pô, legal, mas uma
coisa você fala: "Que que você acha
fazer o legal? Outra coisa é sentar,
marcar show, procurar onde vai, né?"
&gt;&gt; E aí ficou nessa e aí falou: "Não,
legal, se pintar alguma oportunidade
a gente, né, coloca isso". Mas ele
morando em São Paulo, eu em Brasília, a
gente também não se encontrava. Aí
passaram umas duas semanas, ele me
ligou, falou: "Nelson, eu comentei sobre
esse projeto com uma gravadora, um cara
que é dono de uma gravadora na Itália.
que eu fiquei conhecendo e ele quer, ele
comprou o projeto na hora, ele quer
gravar a gente. Vamos para lá? Falei,
vamos embora. Aí a gente foi paraa
Itália.
Eh, e aí a gente pensou o disco pelo
WhatsApp. Que que a gente vai gravar?
Ah, vamos gravar standard. Que coisas
que você conheça e que eu conheço
também. Ah, beleza. Então, vamos gravar
standard. Aí fizemos ali uma escolha de
alguns standards. Você manda aí uns, eu
mando outros. A gente uma lista de uns
50 que a gente gostava de tocar. E a
gente falou: "Ó, chega lá, a gente
resolve que vai fazer". E aí tinha uma
lista nesses 50 tinha standard
brasileiro, standarde americano, tal. Aí
encontrei com ele em São Paulo indo pra
Itália, no avião a gente foi
conversando, aí decidiam: "Não, vamos
fazer os standares americanos e mas com
ritmos brasileiros. Acho que vai vai ser
um negócio legal".
&gt;&gt; Legal.
&gt;&gt; Aí, bacana. Aí chegamos lá no no
estúdio.
Estúdio ótimo, muito bacana. Tínhamos
dois dias de estúdio para fazer o disco.
Aí final do primeiro dia, gravamos os
standos americanos que a gente queria.
Terminou o disco.
&gt;&gt; Pô, temos mais um dia. Que que a gente
faz? Então vamos fazer standar
brasileiros amanhã. Aí no segundo dia
gravamos o outro disco. Então
&gt;&gt; é,
&gt;&gt; lançamos dois discos,
&gt;&gt; dois álbuns, chama Talking Standards.
Volume um é o Internacional e o volume
dois com as músicas brasileiras. E e
também saiu o vinil duplo com um disco
só com as músicas internacionais e outra
só com as músicas brasileiras. A coisa
do vinil é muito mais um fetiche e uma
coisa de pessoas que são apaixonadas
pelo vinil. Então existe um mercado
bacana para isso, mas que você tem, por
exemplo, o disco já chegou há muito
tempo aqui em em álbum, os os vinis
ainda estão lá na Europa, [risadas]
então quer dizer, tem esse trabalhinho
que a tem que passar pela alfândega,
quer dizer, como é que vai mandar, então
é melhor a gente produzir eles no
Brasil. começa a ser, né? Eh, outra
coisa. Então, a facilidade de streaming
tá aí. Então, vou tocar um standard. Eh,
não necessá,
&gt;&gt; tá no volume um, no volume dois.
&gt;&gt; É isso que eu ia falar. Não sei se eu
faço um assim ou se eu faço, Posso fazer
um que esteja no disco.
&gt;&gt; Pode, claro,
&gt;&gt; pode ser. Ou não, também tanto faz.
&gt;&gt; É, pode fazer um que tá no disco.
Incentiva o pessoal a
&gt;&gt; fazer. Não, vou fazer outro. Vou fazer
na onda. Tá,
&gt;&gt; fazendo na onda, mas sem ser porque eu
tem um standard que que eu gosto eh de
tocar, principalmente quando eu tô
falando com a rapaziada que tá começando
a querer entrar no jais,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; O cara nunca tocou a jais na vida, mas
pô, eu queria experimentar. Tem uma
música que é uma música que é a música
mais fácil do J, não tem nada mais fácil
que ela que é o Blue Bossa. Blue Bossa
você deve conhecer, conhece, conheço.
&gt;&gt; Então o Blue Boss é é um teminha que vai
assim, né?
[música]
&gt;&gt; Acabou a música. A música é só isso.
&gt;&gt; E só tem duas escalas. Eu ten que usar
dó menor e bir reb a mão maior,
&gt;&gt; tá?
&gt;&gt; Então é muito simples pro cara começar.
Você ensina a escala menor, ensina a
escala maior, bota a base, fala: "Agora
usa só essas duas escalas que vai dar
certo".
&gt;&gt; Tá?
&gt;&gt; Então eu vou tocar o Bubossa porque é
uma música que eu acho que tem muita
gente
&gt;&gt; que tá começando que toca. Então você
vai conseguir enxergar aqui coisas que
você faz, né? [música]
&gt;&gt; É isso aí.
&gt;&gt; Legal. A gente se vê no próximo vídeo.